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    Jussara Soares

    Jussara Soares

    Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

    Além de Mauro Cid, quatro investigados por golpismo estão na fila de promoção do Exército

    Investigação identificou troca de mensagens desses militares com o ex-ajudante de ordens

    Além de Mauro Cid, quatro investigados por golpismo estão na fila de promoção do Exército
    Além de Mauro Cid, quatro investigados por golpismo estão na fila de promoção do Exército

    O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid, não é o único investigado por tentativa de golpe de Estado na fila de promoção a coronel do Exército. Outros quatro tenentes-coronéis também concorrem a ascender na carreira militar a partir de abril.

    Todos se formaram em 2000 na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), na turma batizada de Maestro Carlos Gomes. Amigos de Cid, eles foram alvo da operação Tempus Veritatis da Polícia Federal, em 8 de fevereiro.

    A investigação identificou troca de mensagens desses militares com o ex-ajudante de ordens e aponta indícios de que tenham atuado para descredibilizar o processo eleitoral e também no planejamento de um suposto golpe de Estado.

    Dos quatro investigados, dois já podem ser promovidos na primeira janela de oportunidade, em 30 de abril. Assim como Cid, Hélio Ferreira Lima e Guilherme Marques de Almeida frequentaram a Escola de Comando e Estado-Maior (Eceme), que aumenta a pontuação dos oficiais e dá prioridade na disputa por um posto de coronel.

    Já os tenentes-coroneis Sergio Ricardo Cavaliere e Ronald Ferreira de Araújo Junior não concorrem ao posto de coronel nesta primeira leva, visto que não têm o curso de Comando e Estado-Maior. Eles, no entanto, terão outras três oportunidades. Duas ainda neste ano, em agosto e dezembro. Outra no ano que vem, em abril.

    Como não são réus no inquérito, os militares seguem na disputa pela vaga de coronel. Porém, apenas a citação deles como investigados deverá ser levada em consideração pela Comissão de Promoção de Oficiais (CPO). A CPO é formada por 18 generais que avaliam a ficha militar, que inclui o conceito (nota ) de cada um no desempenho profissional e a vida pessoal.

    Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator no inquérito no Supremo Tribunal Federal, os quatro alvos da Operação Tempus Veritatis foram afastados das funções que estavam desempenhando.

    Ferreira Lima e Marques Almeida, que estavam entre as prioridades para a promoção já em 30 de abril, também podem ter perdido pontos na disputa por terem sido exonerados dos cargos de comando, fundamental para a ascensão na carreira.

    O tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida perdeu o comando do 1º Batalhão de Operações Psicológicas em Goiânia (GO). Já o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima foi retirado do posto de comandante da 3ª Companhia de Forças Especiais em Manaus (AM).

    Sérgio Cavaliere foi retirado do Departamento de Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, enquanto Ronald Ferreira de Araújo Junior foi afastado da função do Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEx).

    A promoção de Mauro Cid a coronel já é dada como descartada dentro do Exército. Além de investigado na trama golpista, ele foi indiciado pela Polícia Federal na última terça-feira (19) no caso da fraude dos cartões de vacina contra Covid-19.

    Embora siga na fila da promoção, o caso é considerado uma “situação demeritória” que, segundo integrantes da Força, tira as chances de promoção neste momento.