Jussara Soares
Blog
Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Após reprovação ao STF, Messias reavalia permanência na AGU

Aliados do advogado-geral da União veem traição dentro da base do governo Lula

Compartilhar matéria

Um dia após a derrota histórica no Senado, com 42 votos contrários e 34 favoráveis à sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal) na quarta-feira (29), o advogado-geral da União, Jorge Messias, passou a reavaliar sua permanência no governo Lula.

Após a reprovação à Corte, o chefe da AGU (Advocacia-Geral da União) chegou a desabafar com interlocutores que avaliava até mesmo pedir demissão por não ver ambiente político para seguir no cargo.

Messias se reuniu com o presidente Lula no Palácio da Alvorada após ser rejeitado pelos senadores. Em declaração à imprensa, o advogado-geral da União disse que é notório quem provocou a derrota. A articulação é atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

"Lutei o bom combate, como todo cristão. Sei que a minha história não acaba aqui. Eu tenho 46 anos, tenho história, tenho currículo, tenho uma vida limpa. Passei por cinco meses um processo de desconstrução da minha imagem. Toda a sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso", disse Messias.

Nas primeiras horas após a derrota, Messias e aliados contabilizavam traições dentro da própria base governista para explicar o resultado surpreendente.

As desconfianças recaem sobre o MDB e nomes próximos a Alcolumbre. Até mesmo a postura do líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), passou a ser questionada.

Repercutiu mal a imagem de Jacques Wagner abraçando Alcolumbre após o anúncio do resultado. Momentos antes, o líder do governo questionou qual seria o placar da votação. Na ocasião, o presidente do Senado respondeu que a derrota ocorreria por uma margem de oito votos.

Ao longo de toda a preparação para a sabatina, a avaliação repassada pelos articuladores do governo era de que Messias tinha votos suficientes para ser aprovado. Nos cenários mais conservadores, a previsão era de cerca de 45 votos favoráveis.

A leitura começou a mudar apenas no fim da sabatina, na quarta-feira, quando aliados passaram a trabalhar com uma aprovação no limite, em torno de 41 votos.

Porém, o resultado final, com apenas 34 votos favoráveis, evidenciou o tamanho da derrota histórica para o governo Lula.

https://www.youtube.com/live/fLXEK3t6yNo?si=pVTH3Xh1pkEfr6Mi