Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Delação de ex-presidente do BRB pode avançar antes de Vorcaro 

Avaliação é que Paulo Henrique Costa, que sinalizou interesse em acordo, tem escopo mais limitado de contribuições e pode trazer novidades à investigação

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A eventual delação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, pode avançar com mais facilidade que o acordo em negociação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na avaliação de fontes a par da investigação.

A defesa de Costa, alvo da quarta fase da Operação Compliance Zero, apresentou nesta segunda-feira (27) ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), um pedido de saída dele do Complexo da Papuda e sinalizou interesse em fechar um acordo de colaboração.

Embora a sinalização tenha ocorrido um mês após Vorcaro firmar um termo de confidencialidade para iniciar as tratativas, o entendimento é que Costa pode fechar a delação primeiro por ter, em tese, escopo mais limitado na fraude financeira que o dono do Banco Master. Portanto, pode encerrar a proposta de delação em menor tempo.

Outro ponto considerado favorável a Paulo Henrique Costa é que suas contribuições podem ser vistas como mais relevantes para os investigadores elucidarem a fraude bilionária.

O inquérito que apura as negociações entre o BRB, controlado pelo Distrito Federal, e o Master é considerado o mais avançado dentro da investigação sobre a instituição financeira ligada a Vorcaro.

A proposta de colaboração de Costa acende o alerta nas defesas dos demais envolvidos. A avaliação é que o ex-presidente do BRB pode oferecer informações técnicas e avançar em detalhes sobre como ocorria o esquema de compra de carteiras fraudulentas do Master pelo BRB, além de indicar se atuou com aval de superiores.

No pedido encaminhado ao ministro Mendonça, os advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino citam que Costa “sinalizou interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada”.

Porém, pontuam que a formalização do acordo depende de decisão do próprio executivo, de uma avaliação dos investigadores e do cumprimento dos requisitos legais.

Paulo Henrique Costa foi preso no dia 16 de abril, na quarta fase da Operação Compliance Zero da PF. De acordo com a investigação, ele teria recebido R$ 140 milhões de Daniel Vorcaro para viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.

A prisão do ex-presidente do BRB foi mantida por unanimidade em votação do plenário virtual da Segunda Turma do STF na semana passada.

Após ser preso, Costa trocou a defesa na quarta-feira (22). O advogado Cleber Lopes Oliveira, que representa o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) em outras ações, foi substituído pelo criminalista Eugênio Aragão. O advogado e professor de direito penal Davi Tangerino também atuará no caso.