Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Diretor da PF apoia sugestão de Gilmar de proibir delegados no STF

Proposta de decano da Corte ocorre em meio à guerra aberta entre Mendonça e Moraes

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O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, declarou apoio à proposta do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de proibir que delegados da corporação atuem nos gabinetes dos ministros da Corte. Os dois já conversaram sobre o tema.

Na avaliação do chefe da PF, o veto pode eliminar dúvidas sobre a possibilidade de delegados nos gabinetes passarem a atuar como investigadores e também afastar suspeitas de uma atuação política.

A proposta de proibir delegados no STF já havia sido levantada pelo decano do Supremo e passou a ser reforçada junto ao presidente da Corte, Edson Fachin, em meio à crise institucional. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pela CNN.

O argumento central de Gilmar Mendes é que a proximidade de delegados da PF com os magistrados pode arrastar a Corte para sucessivas crises e provocar interferências no andamento dos inquéritos.

A sugestão do decano ocorre em meio à escalada da crise no Supremo após o ministro André Mendonça, relator do caso Master, determinar o levantamento do sigilo de um relatório da PF que expõe diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março e investigado por uma fraude financeira bilionária.

Atualmente, dois delegados federais trabalham com Mendonça e um com Moraes.

Nesta quinta-feira (3), em novo capítulo da inédita instabilidade, Moraes usou o inquérito das Fake News, aberto em 2019, e encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido de investigação contra Mendonça.

Na decisão, ele afirma haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte do relator dos casos Master e INSS.

Na tentativa de controlar o confronto aberto entre os dois ministros, o presidente do STF determinou, nesta sexta-feira (4), que as apurações sobre Mendonça, pedidas por Alexandre de Moraes, saiam do inquérito das Fake News.

Fachin determinou que o caso seja incluído no processo aberto por ele sobre o relatório da PF que aponta supostas conversas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça, relator do caso Master, retirou o sigilo do conteúdo e o encaminhou à Presidência, pedindo que o caso seja analisado em plenário.

Em evento no Palácio do Planalto, Edson Fachin defendeu o fim do inquérito das Fake News, aberto há sete anos, e a adoção de um código de ética. No evento, ele garantiu que todos os fatos estão sendo apurados.

“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse.