Diretor da PF apoia sugestão de Gilmar de proibir delegados no STF
Proposta de decano da Corte ocorre em meio à guerra aberta entre Mendonça e Moraes

O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, declarou apoio à proposta do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de proibir que delegados da corporação atuem nos gabinetes dos ministros da Corte. Os dois já conversaram sobre o tema.
Na avaliação do chefe da PF, o veto pode eliminar dúvidas sobre a possibilidade de delegados nos gabinetes passarem a atuar como investigadores e também afastar suspeitas de uma atuação política.
A proposta de proibir delegados no STF já havia sido levantada pelo decano do Supremo e passou a ser reforçada junto ao presidente da Corte, Edson Fachin, em meio à crise institucional. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pela CNN.
O argumento central de Gilmar Mendes é que a proximidade de delegados da PF com os magistrados pode arrastar a Corte para sucessivas crises e provocar interferências no andamento dos inquéritos.
A sugestão do decano ocorre em meio à escalada da crise no Supremo após o ministro André Mendonça, relator do caso Master, determinar o levantamento do sigilo de um relatório da PF que expõe diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março e investigado por uma fraude financeira bilionária.
Atualmente, dois delegados federais trabalham com Mendonça e um com Moraes.
Nesta quinta-feira (3), em novo capítulo da inédita instabilidade, Moraes usou o inquérito das Fake News, aberto em 2019, e encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido de investigação contra Mendonça.
Na decisão, ele afirma haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte do relator dos casos Master e INSS.
Na tentativa de controlar o confronto aberto entre os dois ministros, o presidente do STF determinou, nesta sexta-feira (4), que as apurações sobre Mendonça, pedidas por Alexandre de Moraes, saiam do inquérito das Fake News.
Fachin determinou que o caso seja incluído no processo aberto por ele sobre o relatório da PF que aponta supostas conversas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça, relator do caso Master, retirou o sigilo do conteúdo e o encaminhou à Presidência, pedindo que o caso seja analisado em plenário.
Em evento no Palácio do Planalto, Edson Fachin defendeu o fim do inquérito das Fake News, aberto há sete anos, e a adoção de um código de ética. No evento, ele garantiu que todos os fatos estão sendo apurados.
“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse.



