Entorno de Flávio calibra tom sobre Ciro e diz que aguarda “a vez” do PT
Pré-campanha afirma que operação contra ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro já estava precificada

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmam que a ação contra o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (7), já estava precificada e dizem aguardar "a vez" do PT entrar na mira da PF (Polícia Federal).
O grupo tenta calibrar uma distância do caso para evitar respingos na pré-campanha, enquanto afirma ser uma questão de tempo para que a investigação avance sobre integrantes do PT da Bahia por suspeita de ligação com o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, o parlamentar, suspeito de ter recebido vantagens indevidas do dono do Banco Master, chegou a ser citado pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, como uma opção de vice para Flávio.
O argumento do entorno de Flávio é que Ciro, embora tenha relação de amizade com a família Bolsonaro, não integra o grupo que atua na pré-campanha do filho de Jair Bolsonaro. Além disso, afirmam que a aliança com a federação PP-União já não é essencial para a disputa presidencial.
Além de Ciro, Antonio Rueda, presidente do União Brasil, também costuma ser citado como um dos agentes políticos mais próximos de Daniel Vorcaro.
Nas palavras de um interlocutor da campanha, neste momento a federação PP-União precisa mais da aliança do que Flávio, que já tem conseguido avançar com palanques estaduais com o PL, partido que tem a maior bancada na Câmara dos Deputados.
Em nota, Flávio Bolsonaro disse que "acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa", mas não cita diretamente Ciro Nogueira.
"Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal. Confiamos na relatoria do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça, e esperamos uma ampla apuração", encerra o comunicado.
A defesa de Vorcaro entregou na tarde de terça-feira (5) a proposta de delação à PGR e à PF. Segundo interlocutores com acesso às informações, há citações a políticos de direita, de esquerda, mas principalmente de centro na proposta de delação.



