Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Flávio omitiu de pré-campanha contato com Vorcaro

Antes de áudio, senador foi questionado se tinha relação com Caso Master

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A revelação de um áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedindo dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro irritou alguns dos principais aliados do pré-candidato à Presidência.

Em meio ao potencial do escândalo da fraude financeira atingir políticos, o núcleo duro da campanha do filho do ex-presidente o questionou por diversas vezes se havia algum risco de encontrarem algo ligando ele a Vorcaro. Flávio negou reiteradamente, segundo relatos à CNN.

Quando questionado nesta quarta-feira, após a publicação da reportagem do site Intercept Brasil, o senador disse que só havia tratado sobre a cota de patrocínio, mas que não há risco de novos vazamentos que possam atingir a candidatura.

O incômodo da pré-campanha é que, se soubesse anteriormente do contato para o filme, o time poderia ter preparado uma estratégia para evitar a eclosão da crise, que pegou todos de surpresa, e controlar o desgaste.

Diante da negativa de Flávio, a estratégia traçada pela campanha foi o senador defender as investigações e passar a discursar pedindo a CPI do Banco Master na tentativa de empurrar o caso para o PT. Essa ofensiva foi intensificada após a quinta fase da Operação Compliance Zero, que mirou o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro.

Em evento em Florianópolis (SC), no último sábado (9), Flávio usou a camiseta: "O Pix é do Lula, o Master é do Lula". Em entrevista coletiva, disse que Lula teria que explicar por que recebeu Daniel Vorcaro no Palácio da Alvorada.

"O caso Master é o maior escândalo financeiro do país e, a todo momento, a esquerda tenta criar narrativas contra o Bolsonaro, criando vínculo de alguma forma entre Bolsonaro e a questão do Banco Master. Só que não dá liga, não foi o Bolsonaro que se reuniu escondidinho com Vorcaro e o presidente do Banco Central (Gabriel Galípolo), foi o Lula", disse em entrevista a jornalistas.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro se defendeu dizendo que só conheceu o ex-banqueiro em 2024, quando o governo Bolsonaro não estava mais no poder. Ele voltou a defender a instalação da CPI do Banco Master e reafirmou que o contato foi apenas para buscar recurso privado para o filme em homenagem ao pai.

"É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro", disse.

O senador disse ainda que o contato foi feito apenas para cobrar a retomada do pagamento das parcelas de patrocínio para a conclusão do filme. "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Maste já", concluiu.