Homônimos livram auxiliar de Moraes de sanção dos EUA
Bolsonaristas esperam que medidas se estendam a outros integrantes da equipe do relator da trama golpista no STF

A alta quantidade de homônimos livrou o juiz auxiliar Leonardo Fernandes, que integra o gabinete do ministro Alexandre de Moraes no STF (Supremo Tribunal Federal), de ser incluído na lista de integrantes do Judiciário que tiveram o visto cancelado pelos Estados Unidos nesta segunda-feira (22).
A expectativa é que novas medidas do Departamento de Estado americano contra pessoas ligadas a Moraes possam ser aplicadas ao longo desta semana, incluindo o juiz Leonardo Fernandes. O número de nomes iguais teria imposto uma "dificuldade técnica" para o cancelamento do visto.
Bolsonaristas já esperavam que novas medidas fossem anunciadas enquanto Lula estivesse em Nova York. O presidente brasileiro tem volta prevista a Brasília na noite de quarta-feira (24).
Em uma nova escalada da crise, após a condenação de Jair Bolsonaro (PL) pela tentativa de golpe de Estado, os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (22) a inclusão da esposa de Moraes na Lei Magnitsky. O ministro já havia sido penalizado em julho.
Também foram cancelados os vistos do ministro Jorge Messias, da AGU (Advocacia-Geral da União); do ministro Benedito Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ex-membro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral); e dos seguintes nomes ligados a Moraes:
- Airton Vieira, juiz auxiliar de Alexandre de Moraes no STF;
- Marco Antonio Martin Vargas, ex-assessor eleitoral;
- Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, juiz auxiliar de Moraes;
- Cristina Yukiko Kusahara, chefe de gabinete de Alexandre de Moraes.
Como mostrou a analista Luísa Martins, o ministro Alexandre de Moraes sinalizou a auxiliares que as novas sanções dos Estados Unidos já eram esperadas e não devem interferir no avanço dos processos que tramitam na Corte.
Em nota, Moraes afirmou que a aplicação da Magnitsky à esposa é "ilegal e lamentável". O ministro acrescentou que não aceitará "coações ou obstruções no exercício de sua missão constitucional" e disse que "as instituições brasileiras são fortes e sólidas".



