Mendonça aguarda PF para decidir se Master segue no STF
Delegados reúnem informações a pedido de novo relator
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), aguarda novas informações da PF (Polícia Federal) para tomar suas primeiras decisões como novo relator do caso Master. Entre elas, terá que definir se o processo fica na Corte ou se será enviado para a primeira instância.
A pedido de Mendonça, delegados reúnem mais dados sobre o inquérito que apura fraude financeira no banco do empresário Daniel Vorcaro.
O relator, seu gabinete e a equipe da investigação tiveram um primeiro encontro de alinhamento na sexta-feira (13). A reunião ocorreu menos de 12 horas após Mendonça ter sido sorteado para assumir o processo em substituição ao ministro Dias Toffoli. O antigo relator, sob pressão, deixou a supervisão do inquérito após a perícia da PF encontrar menções ao nome de Toffoli em mensagens no celular de Vorcaro.
Mendonça busca se aprofundar sobre o atual estágio da investigação. Uma nova reunião com os investigadores está prevista para ocorrer, mas não há data marcada.
A primeira conversa entre Mendonça e os investigadores durou duas horas e serviu para alinhar questões técnicas e procedimentais do inquérito.
De posse de um novo relatório que está sendo preparado pela PF, o ministro deverá verificar se há necessidade de o caso seguir na Corte pela citação de autoridades com foro privilegiado. A expectativa é que Mendonça também possa rever o grau de sigilo imposto por seu antecessor no processo.
Mendonça assumiu a supervisão do inquérito do Banco Master em meio a uma crise institucional entre PF e STF.
Para integrantes da Corte, a instituição avançou sobre sua prerrogativa e iniciou uma investigação sobre Toffoli sem autorização.
Ministros que tiveram acesso ao relatório entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, avaliam que o documento não apenas relata as menções a Toffoli, mas faz cruzamento de dados que indicam uma investigação. Integrantes da PF rechaçam a crítica.
Aliados de Mendonça observam que o magistrado sempre teve uma relação cordial com a PF e tem muito respeito pela instituição, sobretudo por ter sido ministro da Justiça e Segurança Pública entre 2020 e 2021.
O novo relator também deverá conduzir o inquérito com discrição e evitar holofotes. Além de garantir a segurança do processo, Mendonça ainda tem o desafio de evitar o aprofundamento da crise no STF.



