Moraes segue seu plano de atrapalhar a direita para 2026, diz Flávio à CNN
Filho do ex-presidente diz que antecipará decisões políticas que passem por Jair Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de tentar atrapalhar a direita a se organizar para as eleições de 2026.
A declaração foi dada à CNN Brasil após Moraes, relator da ação do plano de golpe, proibir o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar nesta quarta-feira (22).
A decisão foi tomada um dia depois de a Primeira Turma do STF determinar a reabertura da investigação do dirigente por tentativa de interferência no resultado das eleições de 2022.
“Moraes segue seu planejamento de atrapalhar a direita a se organizar para 2026. Quer interferir no processo eleitoral como fez em 2022. Mas dessa vez não vai conseguir", acusou o filho mais velho do ex-presidente.
O senador disse que vai intensificar as articulações políticas e antecipar decisões que precisam passar por Bolsonaro.
"Vou intensificar as articulações e dar celeridade nas decisões que precisam passar por Jair Bolsonaro. Vamos ter uma frente forte e ampla contra o PT em todos os Estados”, disse o senador.
À CNN Brasil, integrantes do PL também relataram preocupação com a organização do partido para 2026.
"É péssimo para o partido, mais uma interferência totalmente indevida visando prejudicar a direita e o PL", disse o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
Ao negar o pedido para Valdemar visitar Bolsonaro, Moraes justificou que uma das condições das cautelares impostas ao ex-presidente é não ter contato com investigados.
O STF determinou na terça-feira (21) a reabertura do inquérito contra o presidente do PL após Moraes defender que Valdemar deve ser investigado por participação na tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e em organização criminosa.
O presidente do PL havia sido indiciado pela PF (Polícia Federal) por financiar o relatório preparado pelo IVL (Instituto Voto Legal) sobre as urnas eletrônicas. Porém, em fevereiro, a PGR (Procuradoria-Geral da República) excluiu Valdemar da denúncia relacionada à tentativa de golpe de Estado.
Como mostrou a CNN Brasil, advogados que atuam no processo da trama golpista avaliam que a prisão de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe, pode ocorrer ainda em novembro. Aliados também já se preparam para a ida do ex-presidente para uma unidade prisional no próximo mês.
A previsão é que o STF não demore a julgar os embargos, que têm até segunda-feira (27) para serem apresentados pela defesa, e que o trânsito em julgado ocorra, no máximo, até o final de novembro.
A expectativa é que, esgotados os recursos, o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, determine imediatamente o início do cumprimento da pena.



