Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Novo entra com representação contra Jaques no Conselho de Ética do Senado

Partido pede que seja aberto um processo para apurar se houve quebra de decoro parlamentar por parte do petista

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O partido Novo protocolou uma representação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula, no Conselho de Ética do Senado Federal. A sigla pede que seja aberto um processo para apurar se houve quebra de decoro parlamentar por parte do petista.

Na quinta-feira (30), o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), derrubou o sigilo da investigação contra Jaques. Os documentos detalham uma relação de proximidade pessoal e interlocução política entre o senador e executivos ligados ao Banco Master.

Segundo a investigação, Wagner mantinha uma relação de confiança com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira, conhecido como “Guga Lima”. A PF sustenta que esse vínculo também aproximou o parlamentar de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e criou canais para tratar de pautas legislativas e operações de interesse do Master.

Levantamento da corporação mostra que o senador e Augusto Lima trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando cinco horas e 30 minutos de conversa.

Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador recebeu vantagens econômicas de gestores do Master em possível contrapartida à atuação parlamentar em temas de interesse da instituição.

Entre elas, estão as tratativas da compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador, que teria seguido o mesmo esquema usado na aquisição de imóveis dados como propina ao ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília), Paulo Henrique Costa.

Em entrevista nesta sexta-feira (31), Jaques Wagner disse que o inquérito serve para "afastar a culpa", mas evitou comentar sobre o caso.

"O [meu] advogado e o pessoal de imprensa pedem para nem falar sobre isso. Dizem tudo que se está sendo investigado, é direito seu [Jaques] ficar em silêncio, mesmo diante da imprensa. Então peço até desculpa, ele pede para não falar. Mas vou citar uma frase no texto do ministro André Mendonça, que diz: 'o inquérito, a investigação, serve até para afastar a culpa', afirmou à rádio Baiana FM.