Jussara Soares
Blog
Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

PF diz que esquema de Vorcaro tinha quatro núcleos para operar fraudes

Investigação aponta divisão de tarefas entre fraudes financeiras, corrupção institucional, lavagem de dinheiro e intimidação

Compartilhar matéria

A PF (Polícia Federal) apontou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha uma divisão estruturada em quatro núcleos ativos para operar a fraude financeira bilionária e fazer coerção.

Para a investigação, a estrutura indicaria a atuação de uma organização criminosa.

De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou prisões na nova fase da Operação Compliance Zero nesta quarta-feira (4), os investigadores identificaram uma organização com os seguintes núcleos:

  • 1- Financeiro - responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro;
  • 2 - Corrupção institucional - voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central;
  • 3- Ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro - com utilização de empresas interpostas;
  • 4 - Intimidação e obstrução de justiça - responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

O núcleo financeiro seria responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro.

Segundo a PF, o Banco Master teria estruturado um modelo de captação agressiva de recursos por meio da emissão de CDBs com rentabilidade acima da média de mercado, direcionando os valores obtidos para operações de maior risco e ativos de baixa liquidez, além da estruturação de fundos vinculados ao próprio conglomerado econômico.

Já o núcleo de corrupção institucional estava voltado a cooptar servidores do Banco Central para obter informações e orientações sobre processos e estratégias relacionadas ao banco em troca de pagamentos.

O ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana foram alvos de mandados de busca e apreensão durante a nova fase da Operação Compliance Zero nesta quarta-feira.

De acordo com a PF, outro braço da estrutura era responsável pela ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro. O esquema, segundo a investigação, usava empresas interpostas e estruturas societárias para formalizar contratos fictícios, movimentar recursos e dar aparência legal a transferências financeiras com o objetivo de ocultar a origem dos valores movimentados pelo grupo.

Por fim, o último núcleo atuava para obtenção de informações e intimidação de adversários. De acordo com o relatório da PF, esse grupo, denominado pelos investigadores de "A Turma", seria responsável por atividades de monitoramento, coleta de informações e vigilância de pessoas consideradas adversárias do grupo investigado, incluindo autoridades e jornalistas.

Na decisão, o ministro André Mendonça diz que os elementos colhidos até agora nas fases deflagradas da Operação Compliance Zero apontam indícios para a prática dos seguintes crimes:

1) Crimes contra o sistema financeiro nacional;

2) Crimes contra a administração pública;

3) Crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, e

4) Crimes contra a administração da justiça.

"As provas documentais, registros de mensagens e fluxos financeiros analisados pela autoridade policial até o momento indicam que os investigados atuavam de forma estruturada e com divisão de tarefas, característica típica de organizações criminosas", cita a decisão.

Em nota, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou nesta quarta-feira (4) que o empresário tenha obstruído as investigações relacionadas à instituição financeira.