PF vê com alívio ida de Bolsonaro para a Papudinha
Ex-presidente ficou 54 dias em sala de Estado-Maior e acumulou reclamações sobre local
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de transferir Jair Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, a Papudinha, foi recebida com alívio por integrantes da PF (Polícia Federal).
A presença do ex-presidente em uma sala de Estado-Maior na superintendência da instituição em Brasília, desde novembro, mudou a rotina no local, gerou desgaste e aumentou a demanda para atender Bolsonaro.
Nos 54 dias em que ficou sob custódia da PF, Bolsonaro, a defesa e familiares fizeram uma série de reclamações, como o espaço pequeno, o barulho do ar-condicionado e o longo tempo fechado na cela especial.
O objetivo, porém, era convencer Moraes a decretar a prisão domiciliar do ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses por tramar um plano de golpe de Estado.
As diversas críticas de Bolsonaro geraram incômodo na Polícia Federal. Investigadores lembram que fazer a custódia de presos não é a função principal da instituição, que vinha sofrendo desgastes com o aumento da demanda.
A transferência, portanto, é tratada pela PF como uma "solução administrativa", não como uma punição.
Em sua decisão, Moraes diz que “as condições absolutamente excepcionais e privilegiadas” não transformam o cumprimento da pena de Bolsonaro “em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias”.
O ministro critica as manifestações da defesa que compararam a Sala de Estado-Maior a um “cativeiro”, ao apresentar reclamações sobre o “tamanho das dependências”, o “banho de sol”, o “ar-condicionado”, o “horário de visitas”, a desconfiança sobre a “origem da comida” fornecida pela Polícia Federal e a exigência da troca da “televisão por uma smart TV” para ter acesso ao YouTube.


