Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

PSOL ainda sonha com Boulos na disputa ao Senado em 2026

Depu­tado mais votado de São Paulo assumiu ministério para ficar até o fim do mandato de Lula

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Mesmo com a confirmação do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, no lugar de Márcio Macêdo, o PSOL ainda sonha em tê-lo na disputa eleitoral de 2026. Boulos assumiu o compromisso de permanecer até o fim do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Se mantiver o acordo, o novo ministro, que foi o deputado mais votado no estado de São Paulo em 2022, deverá ficar de fora das próximas eleições e focar na missão de reorganizar a base dos movimentos sociais, de olho na reeleição de Lula.

O PSOL, por sua vez, ainda vê chance de o novo ministro ser lançado a uma vaga no Senado por São Paulo.

A avaliação é que Boulos tem condições de reforçar o palanque no estado e fortalecer o Senado para um eventual próximo mandato de Lula, em um cenário em que a direita aposta em conquistar maioria na Casa.

Neste momento, porém, a tendência é que a segunda vaga do Senado na aliança em torno de Lula seja do PSB. Um dos nomes cotados é o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

"Ele (Boulos) é uma liderança de peso. Em uma eleição que promete ser tão acirrada como a do próximo ano, é certo que ele terá um papel importante, quer seja na disputa ao Senado por São Paulo, quer seja na eleição para a Câmara Federal", disse a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi.

Já a líder do partido na Câmara, a deputada Talíria Petrone (RJ), afirmou que, apesar da oficialização de Boulos no ministério, o partido seguirá dialogando com o governo sobre o futuro eleitoral do chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

"O PSOL sabe da importância do papel do Guilherme, agora ministro, em todos os espaços. É óbvio que uma candidatura ao Senado ajudaria demais no próximo governo Lula, em um cenário em que precisaremos de um Congresso mais conectado", disse a parlamentar.

A mudança na Secretaria-Geral da Presidência foi definida nesta segunda-feira (20), após reunião de Lula com Boulos, Márcio Macêdo e os ministros palacianos Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), segundo nota do Palácio do Planalto.

A troca vinha sendo discutida há meses e foi anunciada nesta segunda-feira (20). Como mostrou a CNN Brasil em maio, Boulos já havia sinalizado estar disposto a assumir um ministério quando foi sondado por Lula.

A mudança na Esplanada representa uma tentativa do governo de se aproximar do eleitorado de olho nas eleições de 2026, já que a Secretaria-Geral é responsável pelas agendas do presidente com representantes de movimentos sociais, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), ligado à militância de Boulos.