Coronel é nomeada primeira mulher comandante-geral da PM de São Paulo

Coronel Glauce Cavalli deve assumir cargo antes ocupado pelo coronel José Augusto Coutinho, que pediu para ir para a reserva da corporação

Rafael Saldanha, da CNN Brasil, em São Paulo
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O governo de São Paulo trocou o comando da Polícia Militar do estado e nomeou a coronel Glauce Anselmo Cavalli como a primeira comandante-geral mulher da história da corporação. O ato foi publicado na edição do Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (16).

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacou o sucesso profissional para a escolha da coronel e reforçou que a nomeação é um avanço importante para a ampliação da presença feminina nos cargos de liderança do estado paulista. As informações foram reveladas pela Folha de S. Paulo e confirmadas pela CNN Brasil.

A nova comandante-geral estava à frente da diretoria de Logística da Polícia Militar. Ela já havia liderado o Comando de Policiamento da Área Metropolitana 2, a Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando-Geral e do Centro de Comunicação Social da PM.

Glauce Cavalli é formada em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e Educação Física pela Escola de Educação Física da PM. Ela ainda possui mestrado e doutorado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. 

A coronel assume o cargo antes ocupado pelo coronel José Augusto Coutinho que, conforme as informações da Folha, estava à frente da PM desde maio de 2025 e pediu para ir para a reserva da corporação.

Mudança ocorre após casos de violência policial

A troca no comando da Polícia Militar ocorre semanas após casos notórios de violência policial em São Paulo, envolvendo diretamente agentes da corporação.

No último dia 18 de fevereiro, a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta em sua casa. Após a suspeita inicial de que a PM havia tirado a própria vida, a investigação mudou de rumo após novas descobertas em relação ao seu marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Ele foi indiciado, denunciado e é réu por feminicídio e fraude processual no caso em que ele teria assassinado a esposa. 

Quase dois meses depois, no último dia 3 de abril, a PM Yasmin Cursino Ferreira atirou e matou Thawanna Da Silva Salmázio, durante uma discussão sobre a velocidade da viatura utilizada pela policial e seu colega em Cidade Tiradentes, na zona Leste da capital paulista. Yasmin não usava câmera corporal durante a ocorrência e foi afastada das atividades operacionais.

Os dois casos são investigados pela Corregedoria da Polícia Militar.