Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Quem escolhe sanções ao Brasil são os EUA, diz Figueiredo

Empresário diz que governo Trump não cederá, mesmo que escalada piore situação de Bolsonaro

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O empresário e influenciador Paulo Figueiredo disse à CNN que quem escolhe sanções ao Brasil são os Estados Unidos. Mesmo sob risco de que uma escalada possa piorar a situação de Jair Bolsonaro (PL), ele afirma que o governo americano não negociará com o ex-presidente sendo feito de "refém".

"Quem escolhe as sanções é o governo dos EUA. Nós apenas oferecemos informações e nossas opiniões", disse Figueiredo, que articula medidas da gestão Donald Trump contra o Brasil, ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Como mostrou a CNN, aliados de Bolsonaro temem que novas sanções dos Estados Unidos, após a condenação do ex-presidente por tentativa de golpe, tenham o efeito contrário. O temor é que a escalada americana acabe levando o ex-chefe do Executivo a cumprir a pena de 27 anos e três meses em uma cela fechada.

O entorno do ex-presidente tenta garantir que ele possa cumprir a pena em casa. Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto, após descumprimento de medidas cautelares no âmbito do inquérito que envolve a atuação de Eduardo nos Estados Unidos.

Aliados pontuam ainda que Eduardo e Figueiredo não têm nenhum controle sobre o tamanho da reação americana, o que torna o cenário para o próprio Bolsonaro imprevisível.

"Quanto a prejudicar ou não o presidente Bolsonaro, isso significa que ele está sendo feito de refém. Quem faz refém é terrorista. E o governo dos EUA tem uma política histórica de não negociar com terroristas", rebateu Figueiredo.

Nesta segunda-feira (15), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse durante entrevista à Fox News que o estado de direito está se rompendo no Brasil. O diplomata americano está em visita a Israel.

Ao responder a uma pergunta sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, Rubio voltou a criticar a ação do Judiciário brasileiro, sem citar diretamente o nome do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes.

"Bem, a resposta é que o estado de direito está se rompendo. Você tem esses juízes ativistas – um em particular – que não apenas foi atrás do Bolsonaro, aliás, ele tentou exercer reivindicações extraterritoriais até mesmo contra cidadãos americanos ou contra alguém que posta online a partir dos Estados Unidos, e, na verdade, ameaçou ir ainda mais longe nesse aspecto", disse o chefe da diplomacia americana.