Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Sem recuo de Maduro, Brasil avalia "estratégia Nicarágua" com Venezuela

Opção em análise não é cortar relações, mas interromper reuniões de mais alto nível

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Sem sinais de recuo do presidente Nicolás Maduro, o Brasil pode optar pelo esfriamento nas relações com a Venezuela diante do impasse sobre o processo eleitoral no país.

A medida já foi adotada nas relações com a Nicarágua, diante da dificuldade de diálogo com o regime de Daniel Ortega, assim como Maduro, aliado histórico dos governos brasileiros de esquerda.

A adoção da "estratégia Nicarágua" é uma das opções para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como resposta à escalada autoritária de Maduro.

O governo brasileiro vê com apreensão a ordem de prisão do candidato opositor Edmundo González.

O Brasil continuará sem reconhecer a vitória de Maduro e exigindo a apresentação das atas eleitorais. Porém, por ora, evita endurecer a estratégia e não cogita seguir outros países que declaram a Venezuela uma ditadura ou tratando González como presidente legítimo.

Para interlocutores do Palácio do Planalto e do Itamararaty, diante da escalada autoritária de Maduro, o Brasil pode a um curto prazo não ter outra opção a não ser esfriar o relacionamento. A decisão cabe ao presidente Lula.

Com o esfriamento, as relações diplomáticas seguem em um nível mais baixo, sem reuniões políticas do alto escalão, se concentrando apenas na administração dos problemas de interesse dos brasileiros.

No caso da Nicarágua, o congelamento das relações terminou com a expulsão do embaixador brasileiro pelo regime Ortega em agosto. Em reciprocidade, Lula decidiu também expulsar a embaixadora da Nicarágua.

No ano passado, o papa Francisco chegou a pedir para Lula interceder com Ortega, a favor de bispos e padres sequestrados na Nicarágua. Ortega teria ignorado as tentativas de contato feitas por Lula.