Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Temer critica tarifaço, prega diálogo e defende soberania

Ex-presidente diz que taxação é "despropositada" e chama de lamentável cancelamento de vistos de ministros do STF

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O ex-presidente Michel Temer (MDB) divulgou na tarde desta quarta-feira (23) um vídeo em que critica a sobretaxa de 50% a produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos. Ele ainda chamou de "lamentável" o cancelamento de vistos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Temer pregou a busca por consenso internamente e o diálogo para superar a crise diplomática com os Estados Unidos.

"Na turbulência, mais do que nunca, é que devemos buscar entendimento, construir consensos, buscar convergências, buscar união. Respirar respeito. É isso que mantém a democracia viva e um país soberano. E tudo isso deve começar dentro de casa para depois atravessar fronteiras. Digo isso profundamente entristecido com a taxação despropositada imposta a nossos produtos e pela lamentável eliminação de vistos dos ministros da Suprema Corte, o que é injustificável e inadmissível", disse.

O ex-presidente afirmou que, no atual momento, a "ação responsável e a experiência não podem ser esquecidas".

"Em momentos sombrios, sejamos sóbrios. O bom senso e o cálculo estratégico devem prevalecer sem jamais partir para um confronto que transforme a situação em uma espécie de briga de rua, de brasileiros contra brasileiros, de país contra país", acrescentou.

Por fim, Temer reafirmou a defesa da soberania diante da negociação com os Estados Unidos, mas sem excessos.

"Devemos agir e reagir com uma nação livre e soberana que somos. Sem excessos de ambas as partes, e sempre rigorosamente guiados pelos tratados internacionais e pela nossa Constituição."

Leia o pronunciamento do ex-presidente Michel Temer na íntegra:

Ao longo do tempo sempre pregamos a pacificação do país. Em momentos em que nada parece estar favorável, em que tudo parece se distanciar de uma solução, de estarmos debaixo de uma tempestade, é hora de procurar abrigo em um porto seguro do diálogo.

Na turbulência, mais do que nunca, é que devemos buscar entendimento, construir consensos, buscar convergências, buscar união. Respirar respeito.

É isso que mantém a democracia viva e um país soberano. E tudo isso deve começar dentro de casa para depois atravessar fronteiras.

Digo isso profundamente entristecido com a taxação despropositada imposta a nossos produtos e pela lamentável eliminação de vistos dos ministros da Suprema Corte, o que é injustificável e inadmissível.

São inadequações que não se resolvem, contudo, com bravatas, com ameaças, com retruques, com agressões.

Resolve-se pelo diálogo que se faz entre nações, especialmente nações parceiras. E o diálogo se faz pelos mais variados meios, pela diplomacia tradicional, pelo contato dos legislativos e naturalmente pela interlocução entre os chefes dos respectivos governos.

É difícil? No caso, pode ser. Mas não pode deixar de ser tentado. Vivemos um momento em que a ação responsável e a experiência não podem ser esquecidas, devem ser praticadas.

Em momentos sombrios, sejamos sóbrios. O bom senso e o cálculo estratégico devem prevalecer sem jamais partir para um confronto que transforme a situação em uma espécie de briga de rua, de brasileiros contra brasileiros, de país contra país.

Devemos agir e reagir com uma nação livre e soberana que somos. Sem excessos de ambas as partes, e sempre rigorosamente guiados pelos tratados internacionais e pela nossa Constituição.

É o meu desejo. Obrigado e um mundo melhor para todos.