Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

SP: grupo lista falhas após confusão de blocos e alerta para riscos

"Cenas devem servir de alerta para evitar uma tragédia", diz coordenadora de Comissão Feminina de Carnaval

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A Comissão Feminina do Carnaval de Rua de São Paulo listou dez problemas críticos após o primeiro fim de semana de folia na capital paulista. No documento ao qual a CNN Brasil teve acesso, o grupo cita o excesso de gradis, que causou aprisionamento de foliões, superlotação e risco à integridade física, diminuição de banheiros químicos, além da autorização de shows-blocos sem estrutura compatível (veja abaixo).

À CNN, a coordenadora da Comissão Feminina do Carnaval de Rua de São Paulo, a jornalista Juliana Matheus, relata que houve diminuição do contato da prefeitura e da SPturis com os organizadores dos blocos comunitários. Segundo ela, as cenas do fim de semana devem servir de alerta para evitar uma tragédia.

"Infelizmente eles não querem diálogo com os fazedores de Carnaval de Rua. Nossa única conversa é através da imprensa. Mas as cenas que vimos sábado e domingo são um alerta para uma possível tragédia nos próximos dias oficiais de carnaval", disse Juliana.

A coordenadora da Comissão Feminina ainda critica o investimento nos megablocos patrocinados, como o da cantora Ivete Sangalo e do DJ Calvin Harris, onde ocorreram problemas no fim de semana.

"Temos de diferenciar nitidamente: showbloco não é Carnaval de rua. Patrocinador trazer artista para fazer show na cidade não é carnaval de rua. Carnaval de rua é cultura popular, são os blocos comunitários que expressam a identidade das pessoas do território, é a nossa diversidade", critica.

De acordo com Juliana Matheus, é preciso haver responsabilização sobre o tumulto no fim de semana e tomar providências para os dias de folia. A coordenadora ainda pede a extensão dos desfiles para depois das 18h.

"De ordem prática: precisa ter uma responsabilização pelo que aconteceu no fim de semana; fim do uso de gradis, sem saídas ao longo dos percursos; garantia de não repressão aos blocos não cadastrados; apresentação de plano de contingência climática; aumento de banheiros nos trajetos dos blocos e ampliação do horário dos blocos, pelo fim do Carnaval Matinê", diz.

O Ministério Público, por meio da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da capital, abriu nesta segunda-feira (9), de ofício, uma sindicância para apurar a superlotação registrada em megablocos de Carnaval neste domingo na capital paulista.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que a cidade recebeu 182 blocos "sem incidente grave envolvendo os foliões" e que nos próximos megablocos irá posicionar agentes nos trios para "evitar eventuais transtornos".

"Além disso, ficaram definidas novas medidas de segurança em alguns dos circuitos. Na região do Parque do Ibirapuera, os foliões contarão com mais duas áreas de saída, uma pelo estacionamento do prédio da Assembleia Legislativa e outra pela Rua Abílio Diniz. Haverá também reposicionamento dos postos de saúde para outras áreas dentro do próprio circuito, sem qualquer prejuízo aos atendimentos que contam com 960 profissionais dedicados durante todo o Carnaval", afirmou a gestão.

Procurada, a SPturis não se manifestou.

Abaixo, leia a lista elaborada pela “Comissão Feminina do Carnaval de Rua de São Paulo” com os problemas identificados:

  1. Gradis, bloqueios e aprisionamento de foliões
  2. Superlotação e risco à integridade física
  3. Contradições na política de autorização
  4. Violência e repressão policial
  5. Redução de banheiros químicos
  6. Conflito entre blocos e moradores
  7. Falta de estrutura de saúde e emergência
  8. Ausência de plano para chuvas
  9. Não fornecimento de água
  10. Desvalorização dos blocos comunitários
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