Larissa Rodrigues
Blog
Larissa Rodrigues

Acompanha de perto as articulações do Congresso com o Executivo e como a relação entre os Poderes interfere na vida da população e na economia do país

Planalto cobra Lupi e mostra preocupação sobre fraude bilionária no INSS

Governo argumenta que não tinha conhecimento da dimensão do escândalo que mira uma fraude de R$ 6,3 bilhões na entidade

Compartilhar matéria

O Palácio do Planalto passou a cobrar explicações do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), sobre a operação da Polícia Federal (PF) que afastou o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, do cargo.

Nesta quarta-feira (23), a PF deflagrou a operação “Sem Desconto”, que mira uma fraude de R$ 6,3 bilhões no INSS.

Segundo interlocutores, o governo federal argumenta que não sabia da extensão do escândalo e que caberia a Lupi informar o Planalto sobre o assunto, além de resolver a situação com as auditorias internas que aconteciam no órgão desde 2023.

Lida como “sensível” por fontes do governo, a operação pode pressionar Lupi, que está no cargo desde o início do atual governo Lula. Isso porque Stefanutto foi indicação do ministro do PDT.

Em entrevista coletiva no início da tarde desta quarta (23), o ministro afirmou que a nomeação de Stefanutto para a chefia do INSS foi de sua "inteira responsabilidade".

Operação

A Controladoria-Geral da União e Polícia Federal deflagraram nesta quarta operação contra um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.

Esses valores são pagos mensalmente a entidades e sindicatos que representam os aposentados e pensionistas. Qualquer desconto precisa ter autorização prévia do beneficiário para acontecer. A única exceção é para casos envolvendo decisão judicial.

Cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU cumpriram 211 mandados de busca e apreensão, ordens de sequestro de bens no valor de mais de R$ 1 bilhão e seis mandados de prisão temporária no Distrito Federal e em 13 estados: Alagoas, Amazonas, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.

Segundo a PF, as investigações identificaram a existência de irregularidades relacionadas aos descontos de mensalidades associativas aplicados sobre os benefícios previdenciários, principalmente aposentadorias e pensões, concedidos pelo INSS.