Secom orienta, Haddad atende e sobe tom contra relatório de Derrite
Lewandowski deve fazer o mesmo; estratégia visa recuperar protagonismo do governo ao projeto

A fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, contra o projeto relatado pelo deputado – e secretário licenciado de Segurança Pública de São Paulo -- Guilherme Derrite (PP-SP) não foi por acaso. A ordem partiu do Palácio do Planalto, mais precisamente da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República.
Fontes relataram à CNN que a ordem do governo nada mais é do que uma estratégia para reverter a situação do projeto no Congresso Nacional. Ou seja, retirar o protagonismo dado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), à oposição ao escolher Derrite como relator. E devolver o controle da narrativa à proposta original do Palácio do Planalto.
Mais cedo, Haddad afirmou que relatório apresentado por Derrite “fortalece o próprio crime organizado” e que o deputado não dialogou com o governo nem com a Receita Federal durante a elaboração do texto.
Segundo fontes, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, também poderia fazer críticas ao texto em agenda ainda nesta terça.
Paralelamente, a Secom intensificou as postagens nas redes sociais criticando o texto de Derrite. Uma delas – que teria irritado os deputados – diz que o texto quer limitar o trabalho da PF e termina com dois questionamentos: "A quem interessa impedir a Polícia Federal de agir? A quem interessa dificultar o combate às facções?".
A postagem ainda chama o texto de "PL anti-investigação" e pede para que a população compartilhe o vídeo. Uma obra pensada detalhadamente pelo ministro Sidônio Palmeira, garantem fontes do Planalto.
Procurado, o Ministério da Fazenda não fez comentários.



