Leonardo Reis
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Leonardo Reis

Mestre em Linguística, empreendedor, autor e fundador da American English Academy, promovendo a inclusão através da educação

Você fala inglês ou inglês de livro? 10 expressões que confundem brasileiro

A formatação das palavras que um aluno conhece pelo ensino tradicional pode não equivaler com o que se escuta nas ruas, por isso, é importante entender as gírias e expressões idiomáticas

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Você estudou inglês durante anos, aprendeu os tempos verbais, fez exercícios de gramática e tem um bom vocabulário. Aí, chega aos Estados Unidos, alguém olha para você e pergunta: “What’s up?”. Você conhece "what". Conhece "up". Mas não faz a menor ideia do que a pessoa está perguntando.

Já vi isso acontecer muitas vezes com alunos. E o problema não é falta de inglês. É que existe uma diferença entre o inglês que aprendemos nos livros e o inglês que encontramos na vida real.

No dia a dia, as pessoas encurtam palavras, usam gírias, expressões idiomáticas e dão a palavras que você já conhece significados completamente diferentes. E é justamente aí que a tradução literal começa a atrapalhar. Separei 10 expressões muito comuns que mostram bem isso.

1. What’s up? — E aí? / Tudo bem?

Não precisa olhar para cima. "What’s up?" é uma das formas mais comuns de cumprimentar alguém informalmente.
— Hey, what’s up?
— Not much. You?
É o nosso “E aí?”.

2. My bad — Foi mal / Erro meu

Errou? Pegou alguma coisa que não era sua? Entendeu errado?
Você pode simplesmente dizer: "My bad".
É uma maneira informal de reconhecer: “Foi mal, erro meu.”

3. I’m down — Eu topo / Tô dentro

Essa confunde muita gente porque aprendemos cedo que "down" significa “para baixo”.
Só que alguém pergunta:
— Want to get pizza tonight?
— I’m down.
Ninguém está indo para baixo. A pessoa está dizendo: “Topo”.

4. I’m good — Estou bem / Não, obrigado

Essa é uma expressão que você vai ouvir o tempo todo nos Estados Unidos.
Imagine que o garçom pergunta se você quer mais café:
Would you like some more coffee?
Você responde: "I’m good, thanks".
Você não está contando ao garçom que é uma boa pessoa. Está simplesmente dizendo: “Não, obrigado. Estou bem assim.”
Contexto é tudo!

5. No big deal — Não é nada demais

"Deal" pode significar “negócio” ou “acordo”, mas esqueça a tradução literal aqui.
— Thanks for helping me.
— No big deal.
Ou seja: “Imagina”, “Não foi nada”, “Sem problema”.

6. Hang out — Sair / Passar um tempo juntos

Outro clássico da tradução literal.
"Hang" pode significar “pendurar”, mas se alguém disser: "We’re hanging out tonight".
Ninguém vai ficar pendurado em lugar nenhum. Significa simplesmente que as pessoas vão se encontrar, conversar, sair ou passar um tempo juntas.

7. Chill — Relaxar / Ficar de boa

"Chill" é uma daquelas palavras que aparecem em vários contextos no inglês informal.
"Let’s just chill tonight".
Pode ser “Vamos relaxar”, “Vamos ficar tranquilos” ou, em bom português, “Vamos ficar de boa”.

8. Gotcha — Entendi / Saquei

Você explica alguma coisa para um americano e ele responde: "Gotcha".
Não se assuste. Dependendo do contexto, é simplesmente uma maneira informal de dizer “entendi” ou “saquei”.
— Turn left after the bank.
— Gotcha.

9. Give me a sec — Me dá um segundo

"Sec" é simplesmente uma redução informal de second.
"Give me a sec".
Não significa necessariamente que a pessoa precisa de exatamente um segundo. É o nosso “Espera aí um pouquinho”.

10. You’re all set — Está tudo certo / Pronto

Essa é muito comum em situações do cotidiano nos Estados Unidos.
Você chega ao hotel, faz o check-in, entrega os documentos e, no final, escuta: "You’re all set"!
Pronto. Está tudo certo. Pode seguir.

Saber inglês também é saber quando usar o inglês. Agora vem uma parte importante: não adianta decorar essas dez expressões e começar a usar "gotcha", "chill" e "what’s up" em qualquer situação.

Depois de muitos anos ensinando inglês, uma coisa que sempre reforço com meus alunos é que falar bem um idioma não significa apenas conhecer muitas palavras. É saber qual palavra usar, com quem e em qual situação. Na linguística, chamamos isso de "registro". E fazemos exatamente a mesma coisa em português.

Você não fala com seu melhor amigo da mesma maneira que fala durante uma entrevista de emprego. Não escreve uma mensagem de WhatsApp como escreve um documento profissional. A língua muda porque a situação muda. Em inglês acontece exatamente a mesma coisa.

Por isso, chega um momento no aprendizado em que gramática e vocabulário, sozinhos, não bastam. É preciso ouvir inglês de verdade. Filmes, séries, podcasts, entrevistas e, principalmente, conversas com pessoas ajudam muito porque mostram algo que o livro nem sempre consegue ensinar: como aquela língua é realmente usada.

Durante anos como professor, percebi que alguns dos maiores avanços dos alunos acontecem justamente quando eles param de tentar traduzir cada palavra e começam a entender a ideia que está sendo transmitida. É aí que o inglês começa a ficar mais natural. No fim das contas, fluência não é falar como um livro, é saber usar o inglês certo, com a pessoa certa, no momento certo.