Luciana Franco
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Luciana Franco

É editora adjunta da CNN Agro. Foi repórter na Gazeta Mercantil, editora da Globo Rural e colaboradora do Valor Econômico; premiada pelo The Washington Post.

Indústria plant-based impulsiona cadeia da castanha de caju

Segmento de alimentos vegetais movimenta o mercado interno e deve reduzir a dependência brasileira das exportações do setor

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O avanço da indústria de alimentos plant-based tem impulsionado a cadeia da castanha de caju no Brasil, setor que foi, durante anos, fortemente dependente das exportações de amêndoas beneficiadas.

Agora, empresas como Vida Veg e A Tal da Castanha ajudam a consolidar um mercado interno de maior valor agregado, criando uma demanda permanente por matéria-prima de qualidade.

Esse movimento deve estimular novos investimentos na cajucultura, ampliar a renda dos produtores e reduzir a dependência exclusiva do mercado externo, fortalecendo uma cadeia que combina produção agrícola, industrialização e inovação na indústria de alimentos.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), compilados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) mostram que a produção de castanha de caju em casca cresceu a taxas de 6,3% entre 2021 e 2025, alcançando 141,8 mil toneladas em 2025.

São cerca de 53,5 mil estabelecimentos rurais  que produzem castanha de caju no Brasil e aproximadamente 83% deles pertencem à agricultura familiar.

Vocação nordestina

Em 2025, os estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte representaram 92,7% da produção brasileira de castanha de caju in natura, com destaque para o Ceará, que é o maior produtor nacioanal.

A região Nordeste, quando agregados os estados do Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia, representou 99,5% da produção de 2025.

Segundo levantamento da Conab, os preços pagos ao produtor aumentaram 35,8% em um ano no mercado interno. No Ceará estavam citados a  R$ 5,43 o quilo em janeiro deste ano.

No mesmo período o valor pago ao produto exportado caiu 22,6%, para R$ 6,46 o quilo.

Com isso, a participação das exportações sobre o VBP ( Valor Bruto da Produção), que vem recuando nos últimos anos, deve permanecer com tendência de queda.

Em 2024 o VBP nacional se situou R$ 689,3 milhões, registrando crescimento de 44,6% sobre o valor registrado em 2021.

Em igual período, a receita das exportações brasileiras caiu de US$ 90,7 milhões, para US$ 43,9 milhões.

No período 2020 a 2024, o país reduziu a quantidade exportada a uma taxa média anual de 16,4%.

Em 2025, o tarifaço norte-americano reforçou o viés de baixa das vendas externas de castanha, que tem nos Estados Unidos o maior comprador mundial.

Alimentos e bebidas vegetais

Essa desaceleração nos embraques para fora do país associada a um aumento da  demanda interna criou um cenário inédito  na cajucultura nacional:  ficou mais atrativo vender a castanha para empresas brasileiras.

A Vida Veg é uma das empresas que vem contribuindo pra este novo desenho.

A empresa utiliza a castanha de caju como principal matéria-prima para a fabricação de queijos vegetais, requeijões e outros alimentos à base de plantas  e compra cerca de 100 toneladas por ano, principalmente de produtores do Ceará e do Rio Grande do Norte.

Já a A Tal da Castanha ,uma das pioneiras na produção de bebidas vegetais feitas com castanha de caju, é hoje é uma das maiores consumidoras da matéria-prima no país.

A companhia utiliza aproximadamente 3 mil toneladas de castanha por ano, adquiridas de agricultores familiares do Nordeste.

Iniciativas como essas vem contribuindo para a retomada da produção da castanha de caju no País.

De acordo com a Conab, a produção interna vem sendo impulsionada pela adoção de clones de cajueiro-anão precoce, que contribuiu para o aumento da produtividade e pela recuperação das lavouras após anos de estiagens prolongadas no Nordeste.