Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Argentina julga hoje extradição de foragidos do 8/1 pedida por Moraes

Juiz terá três dias úteis para tomar decisão sobre destino de condenados por ataques aos Três Poderes

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A Justiça Federal da Argentina começa a julgar nesta quarta-feira (3) o pedido de extradição dos cinco condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 que estão presos no país.

Joelton Gusmão de Oliveira, Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, Joel Borges Correa, Wellington Luiz Firmino e Ana Paula de Souza, condenados a penas de 13 a 17 anos de prisão no Brasil, foram presos no final do ano passado na Argentina, após terem extradição pedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A audiência está marcada para as 11h30 no horário de Brasília.

O juiz responsável é Daniel Rafecas, do Tribunal Federal Criminal número 3, que emitiu cerca de 60 mandados de prisão contra os foragidos do 8/1 na Argentina após os pedidos de extradição expedidos por Moraes e encaminhados ao governo de Javier Milei.

Além do promotor argentino responsável pelo caso, o Estado brasileiro será representado por advogados contratados pela AGU (Advocacia Geral da União).

Os cinco condenados terão a extradição julgada simultaneamente. Após a exposição das partes, o juiz terá três dias úteis para tomar uma decisão. O prazo final é na próxima terça-feira (9), já que segunda é feriado na Argentina.

Se o magistrado optar pela extradição, os brasileiros ainda têm direito a recurso na Suprema Corte do país.

Adiamentos

O julgamento de extradição dos foragidos do 8/1 presos na Argentina foi adiado três vezes.

Na primeira ocasião, a data coincidiu com o dia em que a ex-presidente Cristina Kirchner teria que se apresentar diante do tribunal, no edifício onde seria realizada a audiência dos brasileiros.

Depois, o julgamento foi novamente adiado a pedido da AGU, que decidiu designar advogados para representar o Estado brasileiro.

A terceira postergação ocorreu após defensores de um dos foragidos apresentarem recursos, em segunda instância, que acabaram negados.

Pedido de refúgio

Os foragidos de 8/1 que terão o pedido de extradição julgado pediram refúgio à Conare (Comissão Nacional para os Refugiados da Argentina), mas não obtiveram resposta até o momento da prisão.

A Conare é composta por representantes dos ministérios do Interior, Justiça, Segurança e Relações Exteriores, além de outros integrantes do governo.

Também participam do colegiado o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e organizações não governamentais, mas sem direito a voto.

À CNN, em agosto, Ana Paula de Souza disse ter acreditado que ao fazer o pedido, estava protegida e que se arrependeu de ter escolhido a Argentina como destino da fuga.

“Não sabia que iríamos ser tratados dessa maneira”, lamentou. “Estamos esquecidos em uma penitenciária da Argentina (...) estamos simplesmente abandonados, jogados às traças e ninguém se preocupa”, concluiu.

Mesmo se a Justiça argentina optar pela extradição, a Conare ou o presidente Javier Milei ainda poderiam se pronunciar a favor da concessão do refúgio.