Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Dias após Nobel da Paz para María Corina, Maduro fecha embaixada na Noruega

Em comunicado, regime venezuelano alega “reestruturação” do serviço exterior e não relaciona medida à premiação da líder opositora

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Três dias após a líder opositora María Corina Machado ser premiada com o Nobel da Paz, o regime de Nicolás Maduro anunciou o fechamento da embaixada da Venezuela na Noruega, alegando uma “reestruturação” no serviço exterior do país.

Em comunicado publicado nesta segunda-feira (13) pelo chanceler venezuelano Yván Gil, Caracas afirma que “o objetivo central desta reorganização é otimizar os recursos do Estado” e redefinir a presença diplomática da Venezuela “para fortalecer as alianças com o Sul Global”.

“Como parte da redesignação estratégica de recursos, determinou-se o fechamento das embaixadas no Reino da Noruega e na Austrália. As relações bilaterais e o atendimento consular nestes países serão levados a cabo de maneira eficiente através de missões diplomáticas cumulativas”, expressa o comunicado.

Além do fechamento das embaixadas venezuelanas nos dois países, a chancelaria de Maduro também anunciou a abertura de missões diplomáticas no Zimbábue e em Burkina Faso, argumentando que servirão como "plataformas" para a cooperação entre os países em áreas como mineração e energia.

No texto, o regime venezuelano não faz qualquer alusão à outorga do prêmio para a líder opositora, na última sexta-feira (10), pelo comitê norueguês do Nobel da Paz.

“Estes esforços se enquadram nos princípios irrenunciáveis de autodeterminação e respeito ao direito internacional”, expressa o texto, no entanto.

O comunicado diz também que as mudanças refletem a vontade de "defender a soberania nacional e contribuir ativamente para a construção de uma nova ordem mundial, baseada na justiça, na solidariedade e na inclusão".

Desde sexta-feira, os principais líderes chavistas se mantiveram em silêncio sobre a premiação. Somente no domingo (12), Maduro se pronunciou, sem mencionar o nome de Machado, chamando-a de “bruxa demoníaca”.

Ele também afirmou que os venezuelanos não querem paz com imperialismo — referindo-se ao apoio da oposicionista à militarização dos Estados Unidos perto da costa da Venezuela e ao seu vínculo com o republicano Donald Trump.