Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Kirchner deixará domiciliar para depor em novo julgamento nesta terça (17)

Ex-presidente argentina deve se apresentar novamente em tribunal por suposta arrecadação de subornos

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A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner deixará por algumas horas, nesta terça-feira (17), a prisão domiciliar que cumpre desde junho do ano passado para se apresentar novamente à Justiça argentina.

Condenada a seis anos de prisão e inelegibilidade perpétua por um esquema de corrupção em licitações de obras rodoviárias, a ex-presidente argentina terá agora que prestar depoimento acerca de um suposto esquema de arrecadação de propinas durante os governos kirchneristas.

O depoimento de Kirchner será o primeiro do julgamento do “Caso Cadernos”, já que surgiu a partir de supostas anotações de um motorista, registrando transportes de subornos de empresas dos setores de construção, energia e transporte, entre 2003 e 2015.

O depoimento está marcado para as 9h. Além dela, foram intimados o ex-ministro do Planejamento Julio De Vido, outros 18 ex-integrantes do governo, dois ex-motoristas de Kirchner e 65 empresários acusados.

Em apoio à ex-presidente, a organização kirchnerista La Cámpora convocou uma mobilização diante do edifício onde ela cumpre prisão domiciliar, no bairro de Constitución, em Buenos Aires. A manifestação deve durar até o retorno de Kirchner ao seu apartamento.

Nesta segunda (16), a líder peronista chamou a investigação de “farsa processual” e criticou a decisão do juiz de exigir que o depoimento seja prestado presencialmente, quando o caso vem sendo conduzido até o momento por zoom.

“É que a foto que pode ser capturada da tela do canal de YouTube com caras ‘em quadradinhos’ não dá para a capa de jornais nem videozinhos na TV… e como já sabem… o ‘show tem que continuar’”, escreveu na rede social X.

Kirchner nega participação nos esquemas de corrupção e denuncia a existência de uma "máfia judicial", que segundo ela toma decisões em momentos politicamente convenientes para forças contrárias a ela.