Legisladores argentinos têm encontro marcado com ministro de Lula
Em meio à crise diplomática com o Brasil, deputados e senadores terão reuniões no Palácio do Planalto, Itamaraty e Senado

Nove deputados e uma legisladora da Argentina chegarão ao Brasil na próxima terça-feira (1°) para reuniões no Palácio do Planalto, no Itamaraty e no Senado, em meio à mais grave crise entre os países desde o retorno da democracia.
Um dos principais pontos da agenda dos legisladores será uma reunião com o ministro das Relações Institucionais do governo, José Guimarães, no Planalto, na manhã de quarta-feira.
À CNN, o ministro confirmou que o encontro acontecerá, a pedido dos argentinos.
Depois da reunião no Planalto, os legisladores terão uma reunião com a secretária geral do ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, no Palácio do Itamaraty.
Rocha estará à frente da pasta como ministra interina durante a ausência do chanceler Mauro Vieira, que participa de uma reunião informal de chanceleres do Mercosul, no Uruguai.
Ainda na quarta-feira, os legisladores argentinos terão uma reunião interparlamentar no Senado, com a Comissão de Relações Exteriores, presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD) e com o Grupo Parlamentar Brasil-Argentina.
A comitiva argentina também terá reuniões na terça e na quinta em Brasília.
“Vamos apelar à diplomacia parlamentar, com uma comitiva pluripartidária do Congresso em reuniões com nossos pares do Brasil e autoridades do governo, para continuar fomentando um canal, apesar de que o presidente arrisque a relação bilateral por temas pessoais e políticos”, diz à CNN o deputado radicalista Martín Lousteau.
Ele também afirma querer “dar um sinal claro” de que o ponto de vista de Milei “não tem nada a ver com o povo argentino e o resto da política”. Lousteau diz que o presidente argentino está “aumentando a tensão dos limites institucionais” e, apesar da solidez da relação bilateral, isso poderia repercutir na dinâmica entre os dois países.
O grupo legislativo que visita o Brasil é formado por deputados de seis bancadas parlamentares e por uma senadora nacional da bancada peronista, em representação da capital Buenos Aires e das províncias de Buenos Aires, Entre Ríos, La Rioja, Santa Fe e Misiones.
Três de seus integrantes (os deputados Maximiliano Ferraro, Oscar Herrera Ahuad e Nicolás Massot) fazem parte do Grupo Parlamentar de Amizade com o Brasil da Câmara de Deputados.
Também estão no grupo Germán Martínez, chefe da bancada kirchnerista na Câmara, pelos deputados Esteban Paulón, Eduardo Falcone, Victoria Tolosa Paz e Guillermo Michel, e pela senadora María Florencia López.
Massot, organizador da visita, afirmou em sessão na Câmara argentina na última quarta que as reuniões em Brasília são “uma iniciativa institucional” e pediu que os governistas participem da aproximação com o Brasil.
Em sua intervenção, ele afirmou ser “irresponsável colocar em risco e se dar ao luxo - sem aparente solução de continuidade - interromper, congelar as relações diplomáticas” com o principal sócio comercial da Argentina.
Após críticas reiteradas de Milei ao presidente Lula desde a Convenção Nacional do Partido Liberal, em julho, o Brasil decidiu rebaixar as relações diplomáticas entre os países para o nível de encarregados de negócios.
Com a decisão, o embaixador brasileiro Julio Bitelli, que havia sido chamado para consultas, não voltou a Buenos Aires e o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, retornou para o seu país.



