Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Maduro manda carta a países da ONU e pede ação contra ofensiva dos EUA

A presidentes latino-americanos e países da ONU, chavista afirmou que defender a Venezuela é defender paz e legalidade internacional

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O chanceler da Venezuela, Yván Gil, afirmou, nesta segunda-feira (22), que Nicolás Maduro enviou uma nota diplomática a presidentes da América Latina e aos países que integram a ONU (Organização das Nações Unidas) pedindo que condenem agressões dos Estados Unidos e exijam o fim da mobilização militar e bloqueios contra o seu país.

“Exijamos imediatamente o cesse da mobilização militar, do bloqueio e dos ataques armados, e ativemos os mecanismos do sistema multilateral para investigar, sancionar e prevenir a repetição destes fatos”, pediu Maduro na comunicação lida na TV estatal venezuelana pelo chanceler.

A comunicação de Maduro se refere ao bloqueio naval promovido pelos Estados Unidos contra o país, com a apreensão de navios petroleiros, aos ataques a barcos no mar do Caribe e à militarização da região por Washington.

No texto dirigido aos países, ele afirma que o bloqueio e a “pirataria” contra o comércio energético venezuelano aumentará a instabilidade dos mercados internacionais e afetará as economias da América Latina e do Caribe.

“Defender hoje a Venezuela é defender a paz, a legalidade internacional e a estabilidade no mundo”, expressou no pedido.

Segundo o regime venezuelano, os dois navios apreendidos nos últimos dias pelos Estados Unidos continham cerca de quatro milhões de barris de petróleo venezuelano.

Maduro qualificou as ações como “sequestro e roubo” dos navios e afirmou que “a Venezuela não cometeu ato algum que justifique esta intimidação militar”.

Caracas também condenou os ataques a embarcações que os EUA alegam estarem envolvidas no tráfico de drogas no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental.

Na carta, Maduro afirma que em 28 ataques, os EUA executaram extrajudicialmente 104 pessoas, “muitas delas em condição de naufrágio”.

E afirmou que as ações violam normativas internacionais que obrigam a proteger civis feridos e náufragos, e a distinção entre população civil e combatentes.

"Não se tratam de incidentes isolados, mas sim de uma prática sistemática de uso letal da força fora de toda normativa legal internacional”, expressou.