Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Netanyahu deve ir à Argentina para encontro com Milei em setembro

Primeiro-ministro de Israel deve fazer visita oficial a Buenos Aires na segunda semana de setembro

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deve viajar à Argentina no início de setembro para um encontro com o presidente Javier Milei.

Segundo fontes da presidência argentina, ainda não há certeza sobre o dia em que o israelense estará no país, mas a visita deve acontecer na segunda semana de setembro.

Desde a campanha, Milei afirmava que sua política externa seria alinhada aos Estados Unidos e a Israel. O país de Netanyahu foi o segundo destino internacional visitado pelo libertário, apenas a dois meses de tomar posse.

Na ocasião, ele se reuniu com o presidente de Israel, Isaac Herzog e com Netanyahu, e visitou o Museu do Holocausto e ao Muro das Lamentações, onde se emocionou.

Em 2025, Milei voltou a Israel e se encontrou novamente com Netanyahu, com quem chegou a rezar no Muro das Lamentações, ao lado do embaixador argentino no país, o rabino Axel Wahnish.

Na contramão do consenso internacional, a Argentina afirma que Jerusalém é a capital de Israel e que mudará sua embaixada de Tel Aviv para este território disputado entre israelenses e palestinos.

Além disso, Milei se posiciona firmemente a favor de Israel apesar dos ataques a Gaza, afirmando que o país tem direito de se defender do Hamas.

 

A Argentina tem a maior comunidade judaica da América Latina e um histórico de traumas por atentados a bomba contra a embaixada de Israel e a Associação Mutual Israelita da Argentina, que juntos deixaram mais de 100 mortos nos anos 1990.

A possível visita de Netanyahu, no entanto, já gera reações. Organizações argentinas como a ATE (Associação de Trabalhadores do Estado) e Hijos (Hijos por la Identidad y la Justicia, contra el Olvido y el Silencio, ou Filhos pela Identidade e pela Justiça contra o Esquecimento e o Silêncio, em português) pediram à Justiça local que emitam um mandado de prisão imediata para que o líder israelense seja entregue ao TPI (Tribunal Penal Internacional).

Em novembro de 2024, o TPI emitiu mandados de prisão contra Netanyahu por considerar que ele tem responsabilidade por crimes de guerra, incluindo “fome como método de guerra” e “crimes contra a humanidade de assassinato, perseguição e outros atos desumanos”.