Luciana Taddeo
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Luciana Taddeo

Correspondente de América Latina, sediada há mais de 10 anos na Argentina. Morou na Venezuela.

Sob Milei, Argentina barrou ou expulsou 10 mil estrangeiros em quatro meses

Governo argentino passou a fazer operações de controle migratório para expulsar imigrantes em situação irregular

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Nos últimos quatro meses, a Argentina expulsou ou impediu a entrada de 10 mil estrangeiros em seu território. O número foi divulgado pelo Ministério da Segurança do país, em meio a um endurecimento dos controles migratórios pelo governo de Javier Milei.

O aumento do rigor na vigilância de estrangeiros em situação irregular acontece após o governo passar, em novembro, o controle da Direção Nacional de Imigrações, antes dependente do Ministério do Interior, para a pasta de Segurança.

Desde então, o organismo realiza operações em pontos de alto fluxo de migrantes como o bairro de Once, perto de um importante terminal ferroviário da capital, ou na Grande Buenos Aires.

Segundo o Ministério da Segurança, somente em março foram realizadas 2.780 operações de controle em diferentes pontos do território argentino.

“As regras são claras: estrangeiro que estiver de maneira irregular, ilegal ou que delinquir será expulso”, afirma o governo de Javier Milei, que pede que a população denuncie estrangeiros em situação irregular no país, por meio de uma linha telefônica.

Desde fevereiro, a pasta vem divulgando nas redes sociais as operações realizadas conjuntamente entre a Polícia Federal Argentina e agentes de imigração.

Na mais recente, na última sexta-feira (17) em Once, ministério informou que o procedimento foi levado a cabo em “diferentes pontos estratégicos”, como galerias “onde foram controlados locais comerciais administrados por cidadãos estrangeiros, assim como pessoas que circulavam na zona”.

As autoridades argentinas afirmam que, somente nesta operação, as identidades de quase três mil pessoas foram averiguadas, sendo 821 delas estrangeiras e 15 em situação irregular no país.

Há cinco dias, o ministério também fez uma publicação intitulada “Brasileiro ilegal, fora”. A postagem informa que um brasileiro tentou entrar ilegalmente no país por uma passagem fronteiriça não autorizada e foi barrado e proibido de voltar a entrar na Argentina.

Outro vídeo publicado nas últimas semanas foi de uma operação em Lomas de Zamora, na Grande Buenos Aires. Segundo as autoridades, as identidades de 1,3 mil pessoas foram verificadas.

O vídeo mostra pelo menos seis pessoas detidas sendo colocadas em um veículo da polícia.

Os agentes usam diferentes formas para fazer a identificação das pessoas durante as abordagens, incluindo os sistemas: Morpho Rap Id, que permite checar antecedentes criminais por meio da impressão digital; De troca de informação entre a Polícia Federal e as provinciais; De registro do Ministério Público de pessoas envolvidas com crimes; E a base de dados da Direção Nacional de Migrações.

A ministra da Segurança, Alejandra Oliva, comemorou os números obtidos desde que o departamento de Migrações passou a ser dependente da sua pasta.

Segundo ela, 10 mil estrangeiros foram “expulsos, inadmitidos ou rejeitados” devido a “decisões firmes, regras claras, mais controle nas fronteiras e cumprimento estrito da lei”.

“Quem tentar entrar de maneira irregular ou com antecedentes não entrará e quem está aqui e delinquir, fora. Terminou o descontrole imigratório”, disse.

Procurado pela CNN Brasil, o ministério não informou quantos estrangeiros, dentre os 10 mil, foram barrados e quantos foram expulsos.

A imprensa argentina tem comparado as operações com as realizadas pela administração de Donald Trump, utilizando a expressão "ICE argentino" - em referência à agência migratória dos Estados Unidos.

O endurecimento dos controles acontece meses após o governo anunciar a modificação do regime migratório do país por meio de um decreto, em maio do ano passado.

Na ocasião, o governo Milei afirmou que nos últimos 20 anos, mais de um milhão de imigrantes entraram no país de forma irregular, e que a partir da reforma, nenhum estrangeiro condenado poderia entrar no país e que quem cometesse crime em território argentino seria deportado.

A Casa Rosada também anunciou que passaria a exigir pagamento de serviços de saúde a residentes temporários e irregulares e seguro médico para que estrangeiros entrassem na Argentina.

A atual administração também anunciou que as universidades públicas poderiam cobrar mensalidade de estrangeiros com residência temporária no país e o endurecimento dos requisitos para a aquisição da cidadania argentina.