Análise: Ata deve acalmar “haters” após comunicado confuso do Copom
Copom não se compromete com próximo passo, mas deixa claro que espaço para novo corte é limitado

A ata do Copom, divulgada há pouco, baixou a régua para interromper o ciclo de corte de juros. E isso deve acalmar as fortes críticas do mercado ao comunicado divulgado após a decisão de reduzir a Selic para 14,25%.
O comitê manteve a porta aberta para qualquer decisão — o que parece fazer sentido em um momento de elevada incerteza global. Mas, diferentemente da interpretação que prevaleceu após o comunicado, fica mais claro agora que o espaço para um novo corte é bastante limitado.
A frase central é que “em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso o atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.”
Além disso, o Copom agora admite que o balanço de riscos está “assimétrico” para o lado altista - o que não constava do comunicado.
O mercado foi surpreendido por mudanças importantes no texto do comunicado da decisão, o que levou agentes a colocar a credibilidade do BC em questão.
A principal dúvida tinha a ver com uma eventual antecipação da mudança do horizonte relevante da política - ou seja, em vez de mirar para o quarto trimestre de 2027, o BC já teria foco no primeiro trimestre de 2028, o que seria, na interpretação do mercado, uma maneira de justificar um novo corte.
O texto da ata trata 2027 como o horizonte relevante.
O receio do mercado, a partir da leitura do comunicado, era de que o BC estivesse cedendo a pressões políticas. Ou, no mínimo, que estivesse fazendo um erro de avaliação do cenário atual, já que as expectativas de inflação do mercado se afastam a cada semana do teto da meta de inflação.
Hoje, o texto da ata parece ter corrigido essa visão. Isso deve permitir algum alívio à curva de juros - embora os contratos longos ainda continuem carregando um prêmio de risco relevante diante das preocupações fiscais.



