Cenário da inflação se deteriorou, diz ata do Copom

Autoridade monetária divulgou a ata da decisão nesta terça-feira (23); Banco Central reduziu Selic para 14,25%

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, em Brasília
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O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) informou que o cenário da inflação se deteriorou no intervalo das reuniões de abril e maio. A autoridade monetária divulgou a ata da decisão nesta terça-feira (23).

Apesar disso, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,25% ao ano na útlima reunião. Na ocasião, o colegiado também revisou a sua projeção da inflação de 2026 para 5,2%, acima da meta.

"Em um primeiro momento, foi ressaltado que o cenário havia se deteriorado desde a última decisão, tanto em termos das leituras mais recentes da inflação cheia e suas medidas subjacentes, quanto das expectativas para os anos de 2026, 2027 e 2028. Destacou-se que a última leitura do IPCA já situa o índice acima do limite superior estabelecido para a meta", diz a ata.

Segundo o colegiado, desde a reunião de abril ficou "evidente" uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028.

Apesar da piora no cenário inflacionário, a ata do Copom destacou que decidiu reduzir a Selic de olho "nas melhores práticas de política monetária". No comunicado, o colegiado citou os choques de petróleo e os efeitos do El Niño na economia.

"O Comitê debateu que esse conjunto de resultados deve ser ponderado à luz das melhores práticas de política monetária, recomendando não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes", diz.

Diante do cenário de expectativas desancoradas, o Banco Central sinalizou a necessidade de manter a taxa de juros em patamar elevado por mais tempo.

"O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", diz o comunicado.

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