Moraes mira postura de Bolsonaro ao sair de hospital
Ex-presidente demorou mais de cinco minutos para entrar em carro
A postura do ex-presidente Jair Bolsonaro ao deixar o hospital no domingo, quando ficou mais de cinco minutos parado em frente às câmeras antes de entrar no carro que o levaria de volta pra casa, está na mira do STF (Supremo Tribunal Federal).
Esse foi o motivo pelo qual o ministro Alexandre de Moraes pediu à Polícia Penal do DF (Distrito Federal), em 24 horas, um relatório que explique “o motivo de não ter sido realizado o transporte imediato após a liberação médica”.
O procedimento feito no hospital DF Star, em Brasília, para remoção de lesões de pele, foi autorizado por Moraes mediante escolta, uma vez que Bolsonaro está em prisão domiciliar. Foi a primeira vez que o ex-presidente saiu de casa desde que foi condenado pelo STF.
Bolsonaro chegou ao hospital aproximadamente às 8h e saiu por volta das 14h. Antes de entrar no carro, porém, ele ficou de pé por alguns minutos, acompanhando em silêncio declarações que sua equipe médica fazia à imprensa.
Interlocutores de Moraes e de outros ministros do Supremo avaliam que Bolsonaro aproveitou a cobertura jornalística do evento e a mobilização de apoiadores na porta do hospital para fazer uma “cena”, que inevitavelmente seria transmitida.
Essas fontes lembram que Moraes já multou em R$ 20 mil um réu da ação da trama golpista - o ex-assessor de Bolsonaro Filipe Martins - por aparecer em um vídeo, em silêncio, quando estava proibido de utilizar as redes sociais.
Segundo relatório médico enviado ao Supremo, Bolsonaro passou por exames que identificaram um quadro de anemia e sinais de uma pneumonia recente. Além disso, as cirurgias dermatológicas resultaram na remoção de oito lesões, que passarão por biópsia.
A escolta foi feita pela Polícia Penal tanto no trajeto de ida quanto no de volta. Depois que Bolsonaro entrou no carro, o deslocamento do hospital até o seu condomínio, no Jardim Botânico, durou o tempo habitual de 25 minutos.



