Luísa Martins
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Luísa Martins

Em Brasília, atua há oito anos na cobertura do Poder Judiciário. Natural de Pelotas (RS), venceu o Prêmio Esso em 2015 e o Prêmio Comunique-se em 2021. Passou pelos jornais Zero Hora, Estadão e Valor Econômico

PGR avalia pedir arquivamento do inquérito das joias sauditas

Após pedir a condenação de Bolsonaro na ação da trama golpista, Gonet volta foco a outras investigações

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Depois de pedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por liderar uma tentativa de golpe no país, a PGR (Procuradoria-Geral da República) avalia solicitar o arquivamento do inquérito sobre a venda de joias sauditas no exterior.

Com a conclusão e envio das alegações finais sobre o golpe, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, volta seu foco para outras investigações ainda pendentes envolvendo Bolsonaro. Nesse contexto, o caso das joias virou uma das prioridades.

A PF (Polícia Federal) indiciou, em julho de 2024, Bolsonaro e outras 11 pessoas por associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos. Mais de um ano depois, ainda não houve definição da PGR sobre oferecer ou não denúncia.

O relatório da PF diz que a venda das joias, recebidas de presente por Bolsonaro durante seu mandato no Palácio do Planalto, teve por objetivo o enriquecimento ilícito do ex-presidente. O valor da operação é de aproximadamente R$ 6,8 milhões.

Interlocutores de Gonet dizem que o indiciamento não significa necessariamente que a PGR vá apresentar a denúncia. Prova disso é o inquérito sobre a suposta fraude no cartão de vacinação, que foi arquivado a despeito do indiciamento de Bolsonaro pela PF.

No caso do comprovante de vacina contra a Covid-19, Gonet entendeu que não poderia oferecer denúncia com base unicamente na palavra do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator das supostas ilegalidades cometidas pelo ex-presidente.

Ou seja, diferentemente da ação sobre o golpe de Estado, o procurador-geral não viu provas que comprovassem as falas de Cid. Fontes próximas a Gonet afirmam que ele pode ir pelo mesmo caminho na investigação sobre as joias.

Além disso, ao pedir o arquivamento, o procurador-geral daria uma demonstração de que atua tecnicamente, com base nas provas coletadas ao longo do processo, o que afasta a narrativa bolsonarista de que o ex-presidente é alvo de perseguição.