Réus do “núcleo 4” vão prestar depoimentos em 24 de julho

STF realizou oitivas com as testemunhas de defesa dos núcleos 2 e 4 nesta quarta

Davi Vittorazzi, da CNN, Brasília
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Os sete réus que compõem o “núcleo 4”, acusados de participar de um plano de golpe de Estado, vão depor por videoconferência em 24 de julho. A informação foi divulgada pela juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta quarta-feira (16).

Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), os réus desse núcleo realizavam “operações estratégicas de desinformação” e teriam divulgado notícias falsas sobre as eleições, além de orquestrar ataques virtuais contra instituições democráticas e autoridades.

Os réus do núcleo 4 são:

  • Ailton Gonçalves Moraes Barros, major da reserva;
  • Ângelo Martins Denicoli, major da reserva;
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL);
  • Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente;
  • Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel;
  • Marcelo Araújo Bormevet, policial federal;
  • Reginaldo Vieira de Abreu, coronel.

Todos eles respondem por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, envolvimento em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Moraes é relator das ações penais envolvendo a suposta tentativa de golpe de Estado.

Segundo Sorrentino, todas as partes já estão intimadas para o interrogatório e data e horário serão indicados na ata dos depoimentos realizados hoje, que será anexada aos autos do processo.

Oitivas com testemunhas do núcleo 4

Ainda nesta quarta, a juíza Luciana Sorrentino conduziu as oitivas de testemunhas do núcleo 4, em sessão remota. Entre o rol de pessoas listadas para depor, estavam funcionários da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), um servidor do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e militares do Exército e Marinha.

Na ocasião, o secretário de tecnologia da informação do TSE, Julio Cesar Valente Da Costa, afirmou que o relatório entregue pelo Instituto Voto Legal, encomendado pelo PL (Partido Liberal), apresentava "uma sequência de equívocos técnicos". A testemunha foi arrolada pela defesa de Carlos Rocha, presidente do IVL.

"O relatório que chegou até mim, que foi amplamente divulgado nas eleições de 2022, ele possui uma série muito importante de equívocos técnicos. Ele se concentra em alguns como, por exemplo, o fato de que, segundo o relatório, haveria rastreabilidade entre os arquivos gerados pelas urnas eletrônicas e os logs, isso é comprovadamente falso", citou Julio Cesar Valente Da Costa em suas considerações finais do depoimento.

Ontem, em depoimento também como testemunha, o presidente do PL Valdemar Costa Neto afirmou que divulgou o relatório contra sua vontade, por pressão de parlamentares. "Levamos uma multa de R$ 23 milhões por causa deste questionamento, foi um prejuízo enorme para o partido", frisou.