PGR também pediu prisão de Ramagem devido à viagem aos EUA
Gonet viu indícios de fuga em razão da proximidade do início da pena

A PGR (Procuradoria-Geral da República) também pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prisão do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que viajou para os Estados Unidos mesmo estando proibido de deixar o Brasil.
O requerimento foi feito ao ministro Alexandre de Moraes na quinta-feira (20). Contudo, o ministro já havia decretado a preventiva do deputado na quarta (19), depois de ser informado pela PF (Polícia Federal) sobre os indícios de fuga.
Interlocutores do procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmam que há indícios de “mobilidade internacional” indevida correlacionada à proximidade do início do cumprimento da pena de 16 anos de prisão pela trama golpista.
Ou seja, Ramagem teria ido para o exterior com o objetivo de escapar da lei brasileira. O fato de ele ter feito isso à revelia da Câmara dos Deputados e da sua própria defesa também sinalizaria a má-fé da conduta.
O deputado apresentou dois atestados médicos sucessivos, mas participou remotamente das votações na Câmara dos Deputados. Autoridades que acompanham o caso desconfiam de que essa foi uma tentativa de fazer com que sua ausência não fosse notada.
De acordo com as investigações, Ramagem está há mais de dois meses em North Miami, nos Estados Unidos. O deputado foi flagrado em um condomínio de luxo pela reportagem do site PlatôBR.
A PF apura o deslocamento clandestino. A suspeita principal é de que o parlamentar tenha cruzado a fronteira e voado aos Estados Unidos a partir de um país vizinho ao Brasil.
A defesa de Ramagem diz que não soube da viagem de antemão: “Como a decisão do deputado de se ausentar do país só foi comunicada à defesa técnica nesta semana, seu advogado não se manifestará, por ora, sobre o fato e seus desdobramentos.”
O primeiro recurso contra a condenação de Ramagem já foi negado pelo STF. Os advogados têm até segunda-feira (24) para apresentar uma nova contestação. A segunda negativa, esperada para a próxima semana, abre caminho para o início da pena.
Além do caso da trama golpista, Ramagem responde a outro processo - o da “Abin Paralela”, pelo qual já foi indiciado. A PGR, contudo, ainda não ofereceu denúncia formal nesse processo.



