STF adota cautela sobre mensagens atribuídas a Cid
Ministros não veem necessidade de convocar delator neste momento
O clima no Supremo Tribunal Federal (STF) é de cautela em relação às mensagens atribuídas ao tenente-coronel Mauro Cid - conversas que teriam sido travadas por meio do Instagram quando o delator estava proibido de utilizar as redes sociais.
Interlocutores do ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação sobre o golpe de Estado no STF, avaliam que não há, neste momento, necessidade de convocar Cid para prestar novos esclarecimentos.
Isso porque o conteúdo das conversas já era de conhecimento do Supremo - tanto que Moraes abordou o assunto com Cid durante o seu interrogatório, questionando se o militar havia sido ou não pressionado pela Polícia Federal (PF) a fechar a delação.
O ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro respondeu que as mensagens - divulgadas pela revista Veja ainda em 2024 - foram um “desabafo a amigos” diante de um “momento difícil”, mas sem nenhum caráter “oficial ou acusatório”.
Antes de pensar em tomar qualquer providência, Moraes quer analisar com lupa as informações compartilhadas com o STF pela Meta (dona do Instagram), após determinação do próprio ministro na sexta-feira.
Além disso, fontes da cúpula do Supremo entendem que seria prudente aguardar a acareação que está marcada para a próxima semana entre Cid e o general Walter Braga Netto.
A cautela se traduz na decisão de Moraes que, nesta terça-feira, negou o pedido da defesa de Bolsonaro para que a delação de Cid fosse anulada. Segundo o ministro, a medida é “impertinente” para o atual momento do processo.
De todo modo, observa um interlocutor do Supremo, a eventual anulação do acordo não fragilizaria a ação penal sobre a trama golpista, pois há outras evidências “independentes” que permaneceriam válidas e manteriam a acusação de pé.
A leitura é de que a delação foi apenas um meio para a obtenção de provas, como documentos, manuscritos, anotações, planilhas e mensagens - elementos citados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao denunciar o “núcleo 1”.



