Torres tenta “álibi” com lista de entrada em reuniões
Defesa quer mostrar que Freire Gomes mentiu ao sustentar presença de ex-ministro em debates sobre golpe
O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres vai apresentar uma lista das entradas e saídas nos Palácios do Planalto e da Alvorada como um possível "álibi" na ação penal que apura uma tentativa de golpe de Estado, na qual ele é réu.
O documento será mostrado nesta terça-feira (24), durante a acareação que ocorrerá entre Torres e o ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes, testemunha do processo. A audiência será no Supremo Tribunal Federal (STF).
A estratégia foi antecipada pelo jornal O Globo e confirmada pela CNN com interlocutores de Torres. A ideia é afastar a alegação de Freire Gomes de que o então ministro participou das reuniões sobre o tema.
Nos autos do processo que tramita na Corte, já há como elemento de prova uma lista de entradas e saídas referente ao mês de dezembro, quando o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estava na reta final.
No seu depoimento como testemunha, Freire Gomes disse que outras reuniões poderiam ter ocorrido antes do segundo turno das eleições. A defesa de Torres, então, foi atrás de uma lista "estendida", com registros desde o início de outubro.
Fontes próximas ao ex-ministro dizem que essa evidência é uma "carta na manga" para mostrar que, durante aquele período, ele nunca esteve junto a Bolsonaro no mesmo dia, local e horário. Portanto, não teria participação nas discussões.
Freire Gomes sustenta que Torres esteve em "uma ou duas reuniões" com militares e teria prestado esclarecimentos jurídicos sobre medidas de exceção que estavam em debate. Porém, o ex-comandante diz não lembrar das datas.
Torres também vai à acareação subsidiado pelo resultado de uma perícia - medida autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação, e que deve ficar pronta ainda nesta segunda.
Com a perícia, a defesa do ex-ministro busca comprovar dois pontos. Primeiro, que Torres, em uma das "lives" de Bolsonaro, limitou-se a ler um documento de peritos da Polícia Federal (PF) sobre o aprimoramento do sistema eleitoral.
A segunda é sobre a chamada "minuta do golpe". A defesa quer mostrar, com a perícia, que o documento encontrado na casa de Torres estava circulando na internet desde 12 de dezembro e não tem a ver com aquele que teria sido apresentado aos comandantes.
Além da acareação entre Torres e Freire Gomes, Moraes autorizou a acareação entre o tenente-coronel Mauro Cid e o general Walter Braga Netto, que está em prisão preventiva por tentativa de obstruir a investigação.



