Maria Casadevall diz que ser introvertida nunca a impediu de atuar
Ao Na Palma da Mari, a atriz reflete que o autoconhecimento a permite respeitar seu próprio ritmo e defende que a introversão é, na verdade, sua maior potência no palco
A atriz Maria Casadevall é a convidada da vez do Na Palma da Mari Verão e, na conversa, traz um tema que muita gente vive, mas nem sempre sabe nomear: introversão. Para ela, o “verão-evento” (com metas, corpo “certo”, agenda cheia e obrigação de estar em tudo) nunca foi o seu lugar. A paulista se define como “mais invernal”, apaixonada por silêncio e conta que, por muito tempo, chegou a se forçar a gostar de certas dinâmicas sociais só para “cumprir a função” e pertencer.
Ao falar sobre vida social, Maria diz que a sociedade funciona em uma lógica que premia quem está sempre disponível e em movimento, uma “ideologia da extroversão”, como ela definiu. E isso pode fazer muita gente introvertida acreditar que há algo errado. Com o tempo, porém, a atriz aponta que o autoconhecimento trouxe uma espécie de autorização: entender que existe diversão no livro, no cinema, no café... e que não estar no “burburinho” não significa estar triste.
Mesmo assim, a atriz conta que valoriza a energia positiva que o verão traz, inclusive o fato de que a maioria das pessoas está mais aberta nessa época do ano, quando acontecem confraternizações entre amigos e familiares.
Como é atuar sendo introvertida?
Maria destaca um ponto essencial: introversão não é sinônimo de timidez. Para ela, ser introvertida tem mais a ver com a forma como recarrega energia, como se tivesse uma “bateria social” que precisa de recolhimento depois de grandes interações. E é aí que entra o outro lado: a extroversão de um ator existe, sim, mas ela é direcionada para o trabalho.
A atriz conta que coloca grande parte da sua potência no palco e no set. É ali que a exposição faz sentido e, nos momentos de preparação, também trabalha a arte da escuta e da observação, características natas de quem é mais reservado. Fora disso, na vida pessoal, ela preserva a natureza mais reservada e reforça que isso é mais comum do que parece: muitos atores e atrizes são pessoas recolhidas, e isso não torna ninguém menos talentoso, só mais consciente do próprio ritmo.
Teatro e vulnerabilidade
Em cartaz em São Paulo com a peça “Um dia Muito Especial”, uma história que se passa na Itália de 1938, Maria Casadevall interpreta Antonieta, uma mulher invisibilizada que encontra em seu vizinho (Reynaldo Gianecchini) o espaço para ser quem realmente é. A atriz traçou um paralelo entre a personagem e sua própria trajetória, destacando que o palco é o lugar da "presença radical" e da vulnerabilidade.
"A vulnerabilidade nos conecta. Se você não se coloca vulnerável, você fica girando em torno do próprio umbigo", refletiu. Ela também compartilhou como a personagem a ajudou a enfrentar medos pessoais, como o de cantar em público: "Antonieta olhou para mim e perguntou: 'Por que tanto medo?'. E eu tive que olhar para isso".
Na Palma da Mari
Maria Casadevall e a apresentadora Mari Palma ainda conversaram sobre a resistência do cinema de rua, a conexão afetiva da atriz com suas ancestrais e os desafios de manter a saúde mental em um mundo acelerado e tecnológico. Confira o papo completo:
https://youtube.com/live/Sb9vZVNEMDs



