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    Mari Palma
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    Mari Palma

    Sou jornalista, com pós em moda, neurociência e comportamento. Também sou embaixadora da Marvel, fã de Friends e Beatles, 4 vezes tia e mãe de cachorro

    Influenciador digital tem que se posicionar ou não?

    Nos últimos dias, muitos criadores de conteúdo têm falado sobre a PL do aborto e isso levantou um debate bastante intenso na internet

    Influenciadores usam smartphone
    Influenciadores usam smartphone Oscar Wong/Getty Images

    Toda vez que eu escrevo sobre internet, eu me pergunto se ainda devo falar dela como se fosse uma “novidade”. Será que ainda tem gente por aí que não entendeu que essa é uma realidade? Há muito tempo? E que a internet foi uma revolução na maneira que a gente consome conteúdo e informação? Foi a internet também que apresentou pra gente a figura do influenciador digital – e é sobre ela que eu quero conversar com você nesse texto.

    Nos últimos dias, a gente viu muitos influenciadores se posicionando sobre o projeto de lei que equipara o aborto legal a homicídio – um retrocesso absurdo nos direitos das mulheres, faço questão de ressaltar aqui. Toda vez que isso acontece, vejo muitos comentários criticando essa postura e dizendo que “influenciador não tem que se posicionar”. Será?

    Pra não sair falando coisa da minha cabeça, fui atrás de alguns dados sobre esse assunto e conversei com a Rafa Lotto, head da Youpix, que é a principal consultoria sobre o mercado de criadores de conteúdo. Segundo ela, ”influenciar alguém é mais do que indicar a blusinha pra comprar, mas ter a capacidade de moldar o pensamento das pessoas”. A Rafa ainda me mostrou uma pesquisa recente que mostra que mais de 70% das pessoas concordam que o influenciador é, sim, alguém que promove ideias e pode influenciar opiniões e comportamentos, independentemente da quantidade de seguidores.

    “Ah, mas tem gente que fala sem ter nenhuma base pra isso”. Sim, concordo. Mas isso sempre existiu, né? O bom influenciador sabe da responsabilidade que tem ao se posicionar e faz isso de maneira consciente. É assim que ele se conecta e constrói sua credibilidade pra continuar sendo uma voz importante nesse universo gigante – caso contrário, ninguém mais vai querer ouvir o que ele tem a dizer. “Quando o criador compartilha a sua opinião, posicionamento e até a sua vida, está abrindo espaço pra construir a credibilidade e confiança que a audiência precisa. Está mostrando quem está por trás daquele perfil, e isso constrói laços muito mais fortes do que os produtos que eventualmente indica”, defende a Rafa.

    É quase como aquele amigo íntimo conversando com a gente na sala de casa, sabe? A gente quer saber o que ele pensa sobre determinado assunto e confia no que ele diz. Segundo a mesma pesquisa que citei antes, mais de 50% das pessoas dizem ter um alto ou muito alto nível de confiança em relação às opiniões e recomendações dos influenciadores que seguem – ou seja, não tem como negar que o posicionamento deles faz diferença. Se você concorda ou não, é outra discussão – eu até acredito que é discordando que a gente evolui mais.

    Pode discordar de mim, inclusive, mas eu defendo e valorizo muito os influenciadores que usam a voz pra causas importantes. São eles os novos formadores de opinião e se souberem fazer isso com responsabilidade e transparência, todo mundo sai ganhando.