Empresários brasileiros vão a Washington buscar canais com governo Trump
Visitas de representantes comerciais à capital norte-americana têm como objetivo estreitar relações com empresários, parlamentares e até mesmo integrantes da administração federal

Empresários e representantes de diversos setores comerciais têm vindo à capital dos Estados Unidos buscar contatos com a iniciativa privada e integrantes do governo norte-americano.
A movimentação acontece em meio ao tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, e à incerteza no cenário político dos dois países, com as eleições presidenciais no Brasil e o pleito para o Congresso norte-americano, no qual está em jogo um terço do Senado e toda a Câmara dos Deputados.
“O Brasil precisa usar sua capacidade diplomática e de fato se engajar na veia comercial, num processo contínuo”, afirma Jean Castro, presidente da Abrig (Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais), que liderou uma comitiva formada por líderes de associações comerciais e empresários brasileiros em Washington na semana de 5 de outubro.
Segundo ele, o grupo faz visitas anuais à capital norte-americana desde 2024 para tratar das relações entre os dois países.
Na agenda, reuniões com o empresariado norte-americano e uma reunião com integrantes do Comitê de Meios e Recursos da Câmara dos Deputados.
Jean afirma que um dos objetivos é entender os canais legais e seguros para se chegar ao governo Trump.
No mês passado, representantes do setor de rochas estiveram em Washington também buscando interlocução. A ideia é mostrar que as tarifas impostas pelo governo Trump podem ser prejudiciais também aos setores comerciais nos EUA, já que encarecem matéria-prima.
No caso da construção, o diálogo acontece também com congressistas que defendem projetos habitacionais.
“Como é possível expandir a construção de casas sem a matéria-prima disponível?”, afirma Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais), que esteve em Washington.
A associação também participou, no meio do ano, da audiência pública sobre tarifas impostas aos produtos brasileiros, com o argumento de que a cobrança das taxas não favorece o mercado norte-americano.



