Preocupação com big techs leva Trump a tarifar Brasil em 50%
Medidas do Brasil sobre empresas de tecnologia podem criar precedentes para outros países; possibilidade pode ser motivo de preocupação para presidente americano

Dentre todas as razões citadas por Donald Trump para aplicar tarifas de 50% a importação de produtos brasileiros, uma se destaca: a preocupação com o futuro das big techs no Brasil. A questão central é que as medidas tomadas sobre empresas de tecnologia que operam no país podem servir como precendente e inspirar outras nações.
O cenário se torna preocupante na medida em que o presidente americano se aliou às big techs e inaugurou sua própria rede social, a Truth Social. Republicanos ligados a Trump já vêm há tempos criticando as ações de Alexandre de Moraes sobre as redes sociais e buscando medidas de barrá-las.
Outras razões alegadas por Trump para as tarifas parecem ser secundárias: ao contrário do que o presidente americano alega, o Brasil importa mais do que exporta na relação com EUA - tanto que o Brasil foi um dos países menos taxados em abril, quando Trump realizou o Dia da Libertação na Casa Branca, com o que chamou de “tarifas recíprocas para outros países".
De lá para cá, a situação na balança comercial não mudou.
A camaradagem e preocupação com o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro também não aparenta ser um ponto central e constante nos discursos de Trump.
O especialista Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional, destaca que toda vez que Trump fala sobre supostas injustiças que Bolsonaro estaria sofrendo, está lembrando de suas pendências judiciais.
O presidente americano usa o termo “caça às bruxas” para se referir à situação de Bolsonaro - mesma expressão que usou inúmeras vezes para se referir aos próprios problemas na Justiça.
As tarifas de Trump sobre o Brasil também vêm logo depois de o republicano criticar o Brics - mais especificamente, esforços do Brics para usar moedas alternativas ao dólar no comércio internacional.
Como Trump fez com as cartas para outros países, na enviada ao Brasil, ele deixa o caminho aberto para negociações; afirma que a taxa vai entrar em vigor em 1º de agosto, mas que as tarifas podem “ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo da relação com o país”.
No final das contas, é um clássico de Trump: a ameaça inicial é alta, mas a margem para negociação também.



