Matheus Teixeira
Blog
Matheus Teixeira

Especializado na cobertura dos Três Poderes, é repórter há 15 anos, com passagens por Folha de São Paulo, Correio Braziliense, JOTA, Conjur e Revista Exame.

Afastamento de chefe da PF põe em xeque estratégia de Fachin na crise

Ala do tribunal defende que caso seja julgado no plenário, o que pode antecipar embate entre Moraes e Mendonça

Compartilhar matéria

A decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, põe em xeque a estratégia do presidente da corte, Edson Fachin, de pedir manifestações de todos os envolvidos e ganhar tempo para resolver a crise entre o relator do caso Master e o ministro Alexandre de Moraes.

A avaliação interna é que a escalada da tensão acelera a necessidade de uma palavra final do conjunto do Supremo, o que anteciparia o embate entre Mendonça e Moraes e reduziria a possibilidade de Fachin deixar para depois da eleição a decisão sobre as acusações feitas entre os dois.

Em recurso, a AGU (Advocacia-Geral da União) também deve pedir que a decisão de Mendonça contra Andrei seja levada ao plenário, uma vez que, na Segunda Turma, já há maioria para manter a ordem judicial que retirou o chefe da PF e o diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada, do cargo.

A leitura de fontes do STF ouvidas pela CNN é de que seria difícil julgar a decisão de Mendonça contra a chefia da PF, que trata de relatório policial usado por Moraes, em um julgamento totalmente à parte das acusações que ambos os magistrados fizeram entre si, o que amplia a pressão para antecipar a reunião do plenário para tratar de toda a crise.

Nas trocas de acusações entre os ministros, o plenário terá que decidir, de um lado, se abre investigação contra Moraes com base em relatório da polícia que aponta que ele recebeu mais de 50 mensagens de Vorcaro com consultas, inclusive, sobre uma possível fuga do Brasil. O documento também mostra que o próprio magistrado editou o contrato de R$ 131 milhões firmado pela mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master.

De outro, o ministro contra-atacou no âmbito do inquérito das fake news e pediu para o plenário da corte investigar Mendonça por crime de responsabilidade e improbidade administrativa por suposto direcionamento político na condução dos inquéritos do Master e do INSS.