Matheus Teixeira
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Matheus Teixeira

Especializado na cobertura dos Três Poderes, é repórter há 15 anos, com passagens por Folha de São Paulo, Correio Braziliense, JOTA, Conjur e Revista Exame.

Messias é disputado por alas opostas do STF enquanto busca aval do Senado

Sabatina do advogado-geral da União está prevista para o dia 29; oposição atua para barrar indicação

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Enquanto busca aval para ser aprovado pelo Senado Federal para compor o STF (Supremo Tribunal Federal), o advogado-geral da União, Jorge Messias, é disputado por alas opostas da Corte.

O Supremo está dividido nos bastidores sobre como reagir às menções a ministros no caso do Banco Master e o voto de Messias, caso ele passe a integrar o STF, é visto como fundamental para determinar qual grupo terá maioria.

De um lado, os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin cobram que o presidente do Supremo, Edson Fachin, faça uma defesa mais enfática dos integrantes do tribunal e coordene com seus pares uma reação política à crise.

De outro, porém, Fachin evita fazer uma defesa pública dos magistrados citados nas apurações da Polícia Federal e prefere atuar em favor da aprovação de um código de ética para o STF.

O presidente tem apoio dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça, relator do caso Master e que conta com total respaldo de Fachin.

O ministro Kassio Nunes Marques atua como uma espécie de pêndulo, flutuando entre os dois grupos, e Dias Toffoli tende a apoiar a ala contrária a Fachin.

É neste contexto que, se aprovado pelo Senado, Messias chegará ao Supremo. Como mostrou a CNN, aliados do atual AGU calculam aprovação por margem entre 48 e 52 votos. Por outro lado, integrantes da oposição no senado, e também alguns integrantes de centro não automaticamente alinhados ao governo, consideram a situação de Messias difícil. Em uma contagem desses grupos, Messias não chegaria a 35 votos.

Mendonça apoia desde o início a aprovação do atual advogado-geral da União e ajuda o escolhido de Lula a buscar votos na oposição ao governo no Senado.

Gilmar, por sua vez, anunciou o apoio a Messias no último fim de semana. O grupo dele mantém mais interlocução com Lula, de quem Messias é próximo.

Até o momento, porém, não há clareza nos bastidores se o chefe da AGU irá aderir a uma das alas ou se evitará integrar automaticamente um dos dois grupos.

A divisão interna do STF ficou mais clara no julgamento sobre o formato da disputa para governador do mandato-tampão no Rio de Janeiro.

Zanin foi o relator e votou por eleição direta e Dino pediu vista – mais tempo para analisar o caso. Os dois ao lado de Gilmar e Moraes vocalizaram as críticas à política do Rio de Janeiro e indicaram a defesa da disputa direta.

Mendonça, Kassio, Fux e Cármen, porém, preferiram antecipar para defender a eleição indireta.

O grupo de Gilmar ainda costuma dar as cartas sobre as negociações do tribunal e é visto como mais habilidoso e coeso nos bastidores, mas a ala adversária dá mostras de que reagirá a articulações que não lhe agrade.