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    Maurício Noriega

    Maurício Noriega

    Mauricio Noriega é um dos jornalistas esportivos mais reconhecidos do país. Ganhou o prêmio ACEESP de melhor comentarista esportivo de TV seis vezes.

    Catástrofe no Sul: enquanto jogadores salvam vidas, CBF adia o problema

    Atletas de Grêmio e Inter atuam como socorristas, e a entidade máxima do futebol só empurra os jogos dos gaúchos para frente

    Catástrofe no Sul: enquanto jogadores salvam vidas, CBF adia o problema
    Catástrofe no Sul: enquanto jogadores salvam vidas, CBF adia o problema

    O cenário no Rio Grande do Sul é devastador. As imagens de Porto Alegre remetem a uma Nova Orleans devastada pelo furacão Katrina.

    Enquanto jogadores do Grêmio e do Internacional vão às ruas transformadas em rios para salvar vidas e ajudar desabrigados, a CBF exala insensibilidade e maniqueísmo e insiste em manter as competições nacionais em andamento.

    A única medida tomada até agora: adiar os jogos envolvendo os times gaúchos.

    Falta empatia às pessoas que dirigem o futebol no Brasil, falta estofo moral. Ressaltar a ausência de liderança seria repetitivo.

    O que fez, efetivamente, a CBF, em prol de seus afiliados do Rio Grande do Sul? Adiou duas rodadas, montou uma plataforma de captação de recursos e escalou jogadores da seleção para uma campanha. Tardiamente, registre-se.

    Até a segunda-feira havia a previsão de se realizar a partida entre Inter e Juventude pela Copa do Brasil, em Porto Alegre. O presidente do Colorado, Alessandro Barcellos, bradou à CNN Brasil que era “impossível” jogar na sexta-feira.

    Jogadores profissionais de Grêmio e Inter têm dado aula de cidadania e civilidade. Ninguém treina, a maioria está ajudando como pode, botando a mão na massa e os pés na água. Diego Costa montou acampamento em Eldorado do Sul, devastada pela enchente.

    O goleiro Caíque, do Grêmio, singra as ruas alagadas de Porto Alegre em uma canoa para levar comida e mantimentos. Estrangeiros como o uruguaio Rochet e o equatoriano Valência estão na linha de frente do auxílio.

    Durante uma Live de que participei na noite de segunda-feira, testemunhei o choro comovente do argentino Andrés D´Alessandro, naturalizado gaúcho e brasileiro de alma.

    Atletas de outros clubes se mobilizam, e um corajoso Giuliano, do Santos, questionou o futebol se manter em atividade em meio à catástrofe: “Um gol paga o preço de uma vida”, perguntou?

    O presidente do Atlético Mineiro, Sérgio Coelho, também confrontou os interesses de CBF e Rede Globo, dona dos direitos de transmissão do Brasileiro, e pediu a paralisação do Campeonato Brasileiro.

    A CBF, por enquanto, apenas adia rodadas, empurra a situação mais adiante, pensando em usar as Datas FIFA para zerar as rodadas. É como se o show tivesse que continuar e a solidariedade ficasse restrita a postagens em redes sociais.

    Se quer tanto que o campeonato prossiga, porque a CBF não banca financeiramente a mudança temporária de sede dos times gaúchos? A suntuosa sede da Granja Comary, em Teresópolis, poderia ser utilizada.

    Qual a condição psicológica para trabalhar de Renato Portaluppi, treinador do Grêmio, que precisou ser resgatado do isolamento em um hotel?

    Como levar a campo em pé de igualdade atletas que não podem e nem querem treinar e estão com o pensamento voltado para amigos, familiares e colegas que sofrem com uma tragédia sem precedentes? Onde vai parar o princípio da isonomia?

    Se a CBF pode usar as Datas FIFA para jogos adiados de seis clubes (os gaúchos da Série A e seus adversários nas rodadas), porque não pode fazer isso para todos os times envolvidos, interrompendo por ao menos uma semana os campeonatos?

    Cabe, ainda, perguntar, se todos os clubes aceitariam, porque no Brasil é muito fácil ser solidário no Instagram e no X, mas nos bastidores querer levar vantagem em tudo, certo?

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