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    Maurício Noriega

    Maurício Noriega

    Mauricio Noriega é um dos jornalistas esportivos mais reconhecidos do país. Ganhou o prêmio ACEESP de melhor comentarista esportivo de TV seis vezes.

    Futebol brasileiro se autossabota

    Fluminense vai enfrentar o Flamengo entre as partidas da Recopa-Sul-Americana, desvalorizando o Estadual do Rio

    Futebol brasileiro se autossabota
    Futebol brasileiro se autossabota

    Quando acontece um gol contra no futebol brasileiro, os narradores dizem que o autor jogou contra o próprio patrimônio.

    O bordão também deve ser aplicado à gestão de muitos dirigentes.

    O mais recente gol contra envolve o Fla-Flu. A tabela do Estadual do Rio espreme um dos clássicos mais charmosos do futebol brasileiro entre as duas partidas que decidem a Recopa Sul-americana, torneio que envolve o Fluminense.

    Em vez de preservar seu afiliado para que busque um título internacional inédito, a Federação do Rio programa o clássico entre os dois jogos contra a LDU.

    O Fluminense jogou na quinta-feira (22) em Quito, fará o clássico no domingo (25) às 16 horas no Maracanã, e, na quinta-feira (29), precisará vencer por dois gols de diferença no Rio para conquistar a Recopa, já que perdeu a ida por 1 a 0.

    A mesma situação aconteceu com o Flamengo no ano passado. O Rubro-Negro teve um clássico diante do Botafogo programado entre as partidas da Recopa contra o Independiente del Valle.

    Custava a federação alterar a tabela em benefício de seus clubes?

    Federação do Rio que prevê multa para clubes que não escalarem seus principais times após a terceira rodada de seu principal torneio.

    O que você faria se fosse dirigente do Fluminense? Cumpriria o regulamento escalando força máxima no clássico estadual ou pagaria a multa para preservar sua equipe rumo à decisão continental?

    Detalhe: o título da Recopa vale uma premiação de quase R$ 9 milhões, enquanto o Estadual do Rio não tem recompensa financeira.

    A programação do Campeonato Carioca foi apresentada em 27 de novembro, sem os horários de todos os jogos. Dois dias depois, a Confederação Sul-Americana divulgou seu calendário. Anúncios praticamente simultâneos.

    Não seria mais inteligente que a Federação do Rio aguardasse a divulgação do calendário continental para montar sua tabela? Ou pelo menos fazer uma consulta prévia para colaborar com seu afiliado?

    Essa situação é recorrente. Parece não haver comunicação. Cada um pensa apenas no seu produto, sem perceber que, no final das contas, joga contra o próprio patrimônio.

    As entidades se comportam como concorrentes, e os clubes que se virem para encaixar suas programações.

    Dentro da hierarquia do futebol, torneio internacional será sempre mais importante que estadual. Imagine a promoção de um Fla-Flu realizado após uma eventual conquista da Recopa por um dos grandes cariocas? Mas, não, o clássico fica ali, encaixotado entre duas decisões mais importantes.

    O amadorismo dos dirigentes desvaloriza o futebol como produto.

    Outro aspecto é o envelopamento. Um jogo da Champions League oferece, além do conteúdo de qualidade, embalagem equivalente. Gramado perfeito, iluminação adequada, numeração de uniformes fácil de ser lida.

    No Brasil, há estádios com iluminação de boate, gramados que lembram pastagens ruins e alguns uniformes remetem a macacões de pilotos de corrida, além de ser impossível identificar a numeração.

    O Estadual do Rio de Janeiro teve partidas realizadas no Amazonas, no Pará, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e no Distrito Federal.

    Em São Paulo, a federação formata seu campeonato para que todos os jogos entre os grandes clubes aconteçam na fase preliminar e, dando tudo certo, eles mesmos estejam na fase semifinal. Mas simplesmente deixa de fora o Dérbi Campineiro, entre Guarani e Ponte Preta, colocando ambos na mesma chave, o que pelo regulamento impede que se enfrentem na etapa inicial.

    Como o Guarani tem chances mínimas de classificação, o clássico não deve acontecer. O produto, interessante inclusive em termos de programação para transmissão em vídeo para uma praça importante comercialmente como a Região Metropolitana de Campinas, foi desprezado.

    O estádio do Palmeiras foi interditado em meio ao Campeonato Paulista porque uma vistoria da Federação determinou que o gramado estava impraticável. Uma vistoria prévia, se houve, não teria detectado o problema antes de o torneio começar?

    A capacidade de autossabotagem do futebol brasileiro é inacreditável.

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