Maurício Noriega
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Maurício Noriega

Mauricio Noriega é um dos jornalistas esportivos mais reconhecidos do país. Ganhou o prêmio ACEESP de melhor comentarista esportivo de TV seis vezes.

Violência no futebol da Turquia é assustadora

Autoridades brasileiras não podem repetir a letargia dos dirigentes turcos

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A violência no futebol turco alcançou níveis assustadores.

O último capítulo foi uma batalha campal envolvendo centenas de torcedores do Trabzonspor e jogadores e comissão técnica do Fenerbahçe, após a vitória do time de Istambul por 3 a 2, pela liga turca, no sábado (16).

Após se defenderem, inclusive, com golpes de artes marciais, os jogadores do Fenerbahçe deixaram a cidade de Trabzon em voo privado, na noite de sábado. Autoridades turcas reportaram a prisão de 12 torcedores.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, classificou o episódio como “inaceitável”.

Em dezembro do ano passado, o presidente do Ankaragucu, Faruk Koca, invadiu o campo e agrediu com socos o árbitro Haili Umut Meler, após a partida com o Rizespor, pela Superliga Turca.

A violência está enraizada no futebol turco, e a resposta das autoridades é frágil. As punições costumam ser brandas e envolvem suspensões ou a elaboração de listas de itens proibidos de serem levados a campo. Medidas ineficazes.

Na temporada 2003/2004, torcedores do Gaziantepspor atearam fogo a uma tribuna durante um jogo contra o Galatasaray. Em 2009, o árbitro Tarik Ongun foi atingido por um isqueiro atirado das arquibancadas no clássico Galatasaray x Fenerbahçe. Em 2010, em outra partida entre Fenerbahçe e Trabzonspor, foram os torcedores do Fener que botaram fogo no estádio.

Houve casos de treinadores sendo esfaqueados em pleno campo. Um deles estarrecedor, quando o treinador do Mersin, Yuksel Yasilova, foi esfaqueado pelo próprio irmão, Murat, durante uma partida da segunda divisão. Yuksel sobreviveu e disse que era uma questão pessoal entre os irmãos. Murat foi preso.

Em 2015 houve um atentado ao ônibus do Fenerbahçe, alvejado por um atirador. No ano passado, um jogador foi agredido por um torcedor com a haste da bandeira do escanteio durante o jogo entre Goztepe e Altay.

Em outro episódio, torcedores, jogadores e comissão técnica de Bursaspor e Amedspor brigaram por causa de cantos anti-curdos. O Amedspor é o time mais popular entre a população de origem curda na Turquia.

A relutância dos dirigentes e das autoridades turcas em adotar medidas mais duras fez com que a violência se tornasse endêmica.

Diferenças regionais e étnicas impulsionam a violência no futebol turco. A disputa entre Fenerbahçe e Galatasaray, a maior do país, é um exemplo. O time representa a Ásia, e o Galatasaray é o bastião da Europa (Istambul se espalha pelos dois continentes, separada pelo Estreito de Bósforo). Também na margem europeia do Bósforo, o Besiktas apimenta a rivalidade.

Resta saber se haverá alguma intervenção mais dura da Fifa, ou a bronca de Infantino ficará apenas nas palavras.

Muito do que acontece na Turquia deve ser observado com atenção pelas autoridades de segurança e dirigentes do futebol brasileiro.

Que as autoridades brasileiras aprendam com os erros de seus pares turcos, que jamais atacaram com a devida força a selvageria que ameaça a própria existência do jogo na terra de Ataturk.

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