Mercado financeiro é visto como ambiente dominado por homens, diz estudo
Levantamento aponta demanda por mais promoções, desenvolvimento de carreira e políticas de flexibilidade para mulheres no setor

O mercado financeiro ainda é visto por suas profissionais como um espaço onde o poder segue majoritariamente masculino. É o que revela uma pesquisa realizada pela Nexus em parceria com a Todas Group, que ouviu mais de 1.500 mulheres em cargos de liderança no Brasil.
De acordo com o levantamento, 82% das entrevistadas que atuam no setor financeiro afirmam que os cargos de liderança são ocupados principalmente por homens. A percepção reforça a ideia de que, apesar da presença feminina crescente no mercado de trabalho, o acesso aos postos mais estratégicos ainda é limitado.
Para Ana Lemos, gerente de Pesquisas da Nexus, não se trata apenas de estatística. “É um ambiente que não convida as mulheres a ocuparem esse tipo de espaço. Isso aliado a falta de reconhecimento apontada por elas, torna clara a necessidade de mudança na cultura mercadológica e da criação de políticas que facilitem essa mudança”, apontou.
O estudo também evidencia um sentimento de desigualdade no reconhecimento profissional. Para 73% das mulheres do setor, homens e mulheres não são valorizados da mesma forma dentro das empresas. Parte das entrevistadas aponta que colegas do sexo masculino são promovidos com maior rapidez, enquanto outras relatam a necessidade de esforço adicional para alcançar o mesmo nível de visibilidade.
Além disso, as profissionais entrevistadas também indicaram quais seriam os caminhos para mudança. A ampliação da presença feminina em cargos estratégicos aparece como principal prioridade, seguida pela criação de programas de aceleração de carreira voltados para mulheres e pela adoção de jornadas de trabalho mais flexíveis, um fator considerado essencial para equilibrar a vida pessoal e profissional.
Apesar dos desafios, há sinais de avanço. Mais da metade das empresas do setor financeiro já conta com espaços formais para discutir questões de gênero, como comitês internos e grupos de diálogo. Ainda assim, apenas uma parcela das entrevistadas avalia essas iniciativas como realmente eficazes, o que indica a necessidade de focar na efetividade dessas ações.
A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 22 de fevereiro de 2026, por meio de questionário online enviado a profissionais de grandes empresas e startups com atuação no país.



