Muriel Porfiro
Blog
Muriel Porfiro

Na televisão há 11 anos. Especialista em Relações Internacionais, Finanças e Mercado de Capitais pela FAAP, FGV e Insper.

As dicas do Einstein de Wall Street

Peter Tuchman é o funcionário mais antigo da bolsa norte-americana Nyse e conversou de forma exclusiva com o CNN Money

Peter Tuchman é o funcionário mais antigo da bolsa norte-americana Nyse e conversou de forma exclusiva com o CNN Money  • Reprodução
Compartilhar matéria

Comprar ações e não bens materiais. Esse é o lema de Peter Tuchman, conhecido como o Einstein de Wall Street. Com cabelos brancos bagunçados, gestos rápidos, atenção aguçada e profundo conhecimento de seu trabalho, ele lembra a genialidade associada ao físico.

Tuchman trabalha há 40 anos no pregão físico da Bolsa de Nova York e ficou famoso depois de aparecer em vídeos e fotos de momentos de altas e baixas históricas do mercado.

Há quem diga que Tuchman é o símbolo do pregão físico. A Nyse é a única bolsa do mundo que ainda mantém pessoas atuando no salão, mas a quantidade de trabalhadores, devido à tecnologia, já caiu de 6 mil para pouco mais de 300.

A concorrente direta é a Nasdaq, uma bolsa totalmente eletrônica. Tuchman defende a necessidade de preservar as origens, mesmo com as atualizações dos tempos modernos.

"Pessoas se sentem mais confortáveis quando existem outras no local de execução cuidando do seu dinheiro", afirmou.

As mudanças eletrônicas significativas aconteceram a partir de 2007 na Nyse e, aos poucos, a negociação no chão da bolsa ficou silenciosa. Antes, os corretores costumavam gritar os preços para negociar de forma mais rápida. Hoje, as operações acontecem praticamente apenas de forma virtual.

“Estamos sempre a um tweet de distância de uma movimentação de mil pontos no mercado. É um mercado volátil e algoritmos têm limites”, explica Tuchman sobre a permanência dos traders no local.

No chão, eles se autodenominam de pilotos de avião. Apesar do modo “automático”, estão prontos para qualquer necessidade de intervenção.

Tuchman compartilha sua experiência com estudantes e entusiastas do mercado financeiro em suas redes sociais, com quase 1 milhão de seguidores.

“Nós adoramos comprar coisas. Somos a geração mais consumista do mundo. Você compra o novo iPhone sendo que o antigo não está quebrado. Digamos que você deixe de comprar os últimos 10 iPhones, mas comprou cinco ações da Apple. Você vai ter um pequeno portfólio no seu celular que valerá um bom dinheiro”, disse.

A bolsa, fundada em 1792, tenta se adaptar às novas tecnologias, assim como Tuchman, que trabalha desde os 25 anos em pé em um banco, para superar a baixa estatura.

O toque de sino na abertura e fechamento do mercado, continua. Assim como Tuchman, que permanece diariamente no espaço que poderia substituir humanos, mas, por enquanto, opta por não fazê-lo.

“Eu estive aqui em mais IPOs do que qualquer pessoa no planeta e o que me atraiu foi a ‘velha Wall Street’. Eu sou um sobrevivente’, declarou.

*A jornalista viajou a convite da Avenue

Acompanhe Economia nas Redes Sociais