
COP30: Brasil propõe virada verde para a economia global
Em nova carta, presidência da conferência convoca empresas a liderarem a transição e a transformarem vulnerabilidade em vantagem competitiva
Estou de volta ao estúdio da CNN após uma maratona de eventos na Rio Climate Action Week, que terminou na última sexta-feira (29), mesmo dia da divulgação da 7ª carta da presidência da COP30.
O que uniu o evento e a carta foi um tom muito claro e estratégico: a transformação ecológica não é um custo, mas a maior oportunidade de desenvolvimento da nossa geração. E o setor privado é convocado a ser o grande protagonista.
A carta é um chamado direto às empresas para liderarem essa agenda. Ela traz a mensagem de que a transformação climática é irreversível e quem se mover primeiro colherá os benefícios, ganhando competitividade global.
Essa urgência é reforçada pela expectativa de que os países apresentem suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para 2035, dando previsibilidade para os investimentos privados.
Resiliência e Adaptação
A semana também foi marcada pela discussão sobre o retorno financeiro à resiliência climática. Em paralelo à carta, o embaixador André Corrêa do Lago - presidente da COP30 - fez uma carta de apoio ao relatório "Returns on Resilience and Adaptation 2025".
O documento, junto aos dados do nosso plano de transformação ecológica, mostra que o custo de não agir é gigantesco e progressivo. Hoje, as perdas anuais em ativos somam mais de US$ 200 bilhões; podendo chegar a US$ 500 bilhões por ano até 2035. Numa escala crescente, em 2050 poderá bater a cifra de U$ 1,7 trilhão anuais. O que representaria um declínio de PIB global na casa dos US$ 2,7 trilhões. No Brasil, isso se traduz em cidades paralisadas, famílias desalojadas e agricultores em risco.
Por outro lado, dados do World Resources Institute (WRI) mostram que, para cada dólar investido em adaptação, é possível ter um retorno de até US$ 10 em benefícios em 10 anos. Os retornos médios anuais podem chegar a 27%, gerando cerca de US$ 1,4 trilhão em benefícios globais.
Oportunidade de Crescimento e Empregos
A carta e o debate na Rio Climate Week trouxeram dados concretos: o setor de energia limpa já gerou cerca de 35 milhões de empregos no mundo. No Brasil, as energias renováveis criaram mais de 1,5 milhão de empregos.
O Plano de Transformação Ecológica projeta uma oportunidade de gerar até 28 milhões de empregos e renda no Brasil, com potencial de dobrar nossa taxa de crescimento econômico, de 2,5% para até 5% ao ano.
Esse é um ponto positivo diante da tensão da guerra fiscal global, mostrando que nossa diversificação econômica e comercial coloca o Brasil em uma posição única de liderança.
O governo federal traduziu essa visão em prática ao lançar uma plataforma pública com 250 ações do Plano de Transformação Ecológica. Desse total, 150 já foram implementadas, mostrando que a agenda já está em andamento.
Com a COP30 em Belém, o Brasil pode transformar sua vulnerabilidade em uma vantagem competitiva global. O país tem a chance de apostar em resiliência, inclusão e liderança global, mostrando ao mundo que a transformação ecológica é uma grande oportunidade de desenvolvimento.



