
COP30: Brasil se mobiliza com agenda forte e bioeconomia no centro
Com um novo relatório mostrando o potencial de US$ 140 bilhões da bioeconomia, o país se posiciona como protagonista na transição para uma economia verde
Nesta semana, a mobilização para a COP30 ganhou uma nova intensidade, mostrando que o Brasil já está vivendo a conferência, mesmo antes de novembro. Em minha participação no CNN Prime Time, conversamos sobre os principais alertas e eventos que marcaram os últimos dias, unindo a voz do governo, o poder da ciência e a força das ruas e dos negócios.
Na última quarta-feira (6), a fala do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da conferência, no Senado, foi um claro alerta: “Ou enfrentamos de forma urgente a crise climática, ou lidaremos com consequências incontroláveis.” Sua mensagem ecoa o que estamos vendo em todo o país: a necessidade de uma ação colaborativa em escala e velocidade.
A Semana do Clima em São Paulo e o Protagonismo da Bioeconomia
A São Paulo Climate Week, que termina na próxima sexta-feira (8), começou de forma marcante, com um evento de abertura que reforçou o elo entre geopolítica, segurança e clima, e a presença do embaixador ucraniano.
Na sequência, a sessão organizada pela SBCOP na sede da CNI evidenciou o protagonismo do setor empresarial. Empresários apresentaram soluções reais já em andamento em áreas-chave como bioeconomia, energia renovável, mobilidade e agricultura regenerativa.
Um dos grandes destaques da semana foi o lançamento do Relatório de Bioeconomia do Conhecimento no Cubo Itaú, com a presença de Carina Pimenta, da Secretaria da Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente.
O estudo traz projeções impressionantes: a bioeconomia do conhecimento tem potencial para gerar entre US$ 100 e US$ 140 bilhões em receitas para o Brasil até 2032.
O relatório destacou o potencial de crescimento em setores como:
- Cosméticos naturais com IA;
- Farmacêuticos baseados em genômica e ativos da floresta;
- Agro regenerativo e bioinsumos;
- Materiais como bioplásticos e madeira engenheirada;
- Alimentos funcionais e superfoods da biodiversidade.
É a prova de que a transição para uma economia de baixo carbono, que para muitos países é um custo, para o Brasil é uma oportunidade de receita e valor agregado. Para capturar esse potencial, como lembrou a secretária Carina Pimenta, é fundamental destravar a legislação e investir em ciência e tecnologia.
Um Calendário Temático e o "Mutirão" Rumo à COP30
A organização da COP30 segue a todo vapor. A presidência da conferência anunciou a divisão temática por dias, o que nos ajuda a organizar a agenda dos próximos meses. Essa decisão é simbólica e estratégica, pois os primeiros dias terão como foco:
- Dia 1: Florestas, povos indígenas e biodiversidade;
- Dia 2: Bioeconomia e soluções baseadas na natureza.
A semana continua com eixos importantes como transição energética, cidades e juventudes. Essa agenda clara fortalece o caminho para uma COP de entregas concretas, especialmente para o Brasil, mostrando a importância do nosso protagonismo nesse novo cenário.
O Brasil já começou a COP30. A mobilização já está acontecendo, nas empresas, nas comunidades e na política. Agora, precisamos garantir que ela seja participativa, ambiciosa e, acima de tudo, transformadora.



